Aconteceu neste último final de semana, em São Paulo, a Virada Cultural: um evento que reuniu mais de 900 atrações, em dezenas de lugares, com atividades, shows e intervenções simultâneas e, segundo dados da Polícia Militar, mais de 4 milhões de pessoas.
| Foto: Agência Estado |
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| Público acompanha apresentacao do palavra cantada no palco Luz no centro de São Paulo durante a 9 edicao da Virada Cultural |
Dadas as devidas proporções ao tamanho das cidades, a Virada Cultural é um exemplo para o Brasil e para o mundo.
O Paraná, assim como outros estados, já aderiu ao modelo e percebe-se, ainda, uma descentralização das Viradas Culturais, sendo que, em 2012, tivemos um evento de mesmo nome em Foz do Iguaçu.
Apesar disso, a Virada em Foz não foi exatamente uma “virada”, pois não contou com a essência da proposta: 24 horas de programação ininterrupta.
É provável que os críticos ao modelo – e os pessimistas que infestam nossa cidade – Foz – bradem frases como “não há público”, etc. Aviso a eles, no entanto, que há sim em Foz público para um grande evento de 24 horas, se for bem planejado, divulgado e concentrado.
Além disso, alguns fatores seriam fundamentais para o sucesso de um evento – como eu já disse: respeitando as devidas proporções – em Foz:
1 – 24 horas de programação: um grande evento deve ter um grande apelo. A Virada Cultural deve começar num dia e terminar no outro, agregando diversas atrações como música, teatro, dança, exposições, cinema e cultura popular.
2 – diversidade: o apelo deve ser o respeito a diversidade e a possibilidade de convivência entre os diversos grupos sociais e culturais e isso deve estar explícito em toda a divulgação do evento.
3 – curadoria compartilhada: a escolha das atrações não pode ficar – apenas – nas mãos da Fundação Cultural de Foz – ou da Secretaria de Estado da Cultura –, é preciso uma curadoria mista, com pessoas da sociedade civil e representantes dos setores artísticos, além do Conselho Municipal de Cultura.
4 – recursos: não se faz um evento de qualidade para uma cidade como Foz do Iguaçu sem um orçamento real e efetivo. Penso em algo em torno de 5 milhões de reais, no mínimo, para garantirmos o tripé estrutura-segurança-atrações. (e fique claro que cachê, ao contrário do que os gestores iguaçuenses – historicamente – pensam, não é pago somente para atrações “de fora”. Os artistas locais merecem respeito.)
5 – cidade das pessoas: a Virada Cultural só ocorre se a sociedade e o Poder Público entenderem que, num evento como esses, os carros devem ser banidos da cidade, ou, pelo menos, do Centro. As pessoas devem ter o direito de caminhar, livremente, pelas ruas, de andar de bicicleta, skate, long, patins sem se preocupar com carros, motos, caminhões e ônibus.
Um evento como esse pode – e deve – acontecer em Foz do Iguaçu e, certamente, a cidade tem público, estrutura e nome para construir a melhor Virada do Paraná – maior que a de Curitiba – inclusive. Só precisamos de esforço, união e recursos. Enquanto isso não ocorre, a gente morre de inveja das cidades que deram essa passo à frente.
* Luiz Henrique Dias é encenador da Cia Experiencial O Teatro do Excluído de São Paulo e membro do Núcleo de Dramaturgia SESI – PR. Leia mais em www.luizhenriquedias.com.br
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