Um projeto ambicioso que pretende alinhar estratégias de desenvolvimento entre Brasil, Paraguai e Argentina está ganhando tração com apoio da Itaipu Binacional. O Plano de Desenvolvimento Econômico da Região Trinacional propõe uma atuação integrada entre 11 municípios localizados num raio de 50 km de Foz do Iguaçu — área que reúne 1 milhão de habitantes e soma um PIB conjunto de R$ 82 bilhões, superando o de várias capitais brasileiras.
Encontro em Ciudad del Este reforça articulação trinacional
A proposta foi apresentada por dirigentes da ACIFI, Codefoz e Codetri a representantes da margem paraguaia da Itaipu Binacional durante reunião em Ciudad del Este. O objetivo do encontro foi fortalecer a articulação institucional para elaboração e execução do plano, que mira ações coordenadas até o ano de 2050.
Participaram da reunião Danilo Vendruscolo (ACIFI), Marcelo Brito (Codefoz) e Roni Temp (Codetri). Do lado paraguaio, o grupo foi recebido por Luis Ángel “Lucho” Zacarías (diretor-geral da Itaipu), Natália Chan (presidente do Codeleste) e o diretor Cristian Gustavo Rolon Paredes.
Regiões interdependentes e potencial compartilhado
Para Zacarías, Ciudad del Este, Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú não vivem realidades isoladas. Ele defendeu que os três municípios avancem de forma conjunta, coordenando esforços para se posicionar de forma estratégica no cenário global. “Precisamos abandonar projetos egoístas e focar no crescimento coletivo”, pontuou.
Ele também adiantou que está articulando um novo encontro entre os diretores-gerais da binacional para definir os próximos passos da proposta.
Cidades irmãs e vocações complementares
Danilo Vendruscolo destacou que o plano reconhece as interdependências da faixa de fronteira. “É possível impulsionar o desenvolvimento se valorizarmos as vocações específicas de cada município. Esse território funciona como um ecossistema integrado”, explicou. Segundo ele, os dados comprovam isso: o PIB de Foz do Iguaçu cresceu 180% entre 2011 e 2021 — muito acima da média nacional —, impulsionado pela formalização da economia e pela expansão do turismo.
O presidente da ACIFI citou como exemplo o aumento na permanência média dos turistas, que saltou de 1,2 para 3,8 dias, com potencial de chegar a cinco ou seis.
Ele ainda lembrou que o fechamento das pontes durante a pandemia escancarou a dependência mútua entre as economias locais. “O Parlasul já reconhece isso e recomenda planos de desenvolvimento conjuntos para cidades fronteiriças”, observou.
Um plano estratégico até 2050
O plano envolve 11 municípios: Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Serranópolis do Iguaçu (Brasil); Ciudad del Este, Presidente Franco, Minga Guazú, Hernandarias e Los Cedrales (Paraguai); e Puerto Iguazú e Colonia Wanda (Argentina).
Entre as metas do projeto estão:
- Promover o desenvolvimento social a partir do crescimento econômico;
- Atrair investimentos estratégicos;
- Fortalecer políticas públicas locais;
- Desenvolver uma matriz econômica regional;
- Estruturar uma agência de desenvolvimento trinacional;
- Criar uma “usina de projetos” e um escritório de atração de investimentos;
- Construir uma metodologia de gestão integrada, com foco urbano e rural.
Otimismo e compromisso institucional
Natália Chan, do Codeleste, afirmou que a receptividade de “Lucho” ao projeto é um sinal positivo. “A Itaipu está em sintonia com essa visão moderna da região. Entende o nosso potencial e como podemos nos posicionar melhor no mundo”, declarou.
A expectativa agora é que o próximo encontro entre as diretorias brasileira e paraguaia da Itaipu, previsto para agosto, marque um avanço decisivo na consolidação do plano.
Foto: Alexandre Palmar/Divulgação Assessoria


