A antiga Estrada do Colono que cortava 18km por dentro do Parque Nacional do Iguaçu foi fechada em 1986 por determinação da justiça e reaberta algumas vezes, a última em 2003. Desde então, a mata já cresceu e se constituiu novamente, agora, alguns moradores da região e deputados estão discutindo novamente a possibilidade de fazer uma nova estrada no local intitulada “Estrada-Parque Caminho do Colono”.
| Foto: Divulgação |
![]() |
| O mapa mostra o percurso que a antiga Estrada do Colono fazia por dentro do Parque Nacional do Iguaçu |
Já aconteceram oito audiências públicas em Brasília, uma em Serranópolis do Iguaçu e uma em Capanema, para discutir o projeto de criação da estrada-parque Caminho do Colono. Parte dos moradores dessas cidades, e alguns deputados são favoráveis à reabertura do caminho, já muitos ambientalistas defendem a permanência do parque como está.
O deputado Rubens Bueno (PPS), justifica a reabertura da estrada como um processo de “integração do Paraná”, porque os moradores das cidades de Serranópolis e Capanema atualmente precisam fazer um contorno de 200km que pelo parque seria reduzido à 18km.
“Esta estrada é anterior ao parque, eu mesmo fiz a ementa do projeto de lei onde trata das questões ambientais, deverá ser feito um manejo, e a estrada será administrada para causar pouco impacto ambiental”.
Questionado sobre a questão de desmatamento de árvores, palmito e caça ilegal que acontecia com freqüência durante o tempo em que a estrada ficou aberta, o deputado afirmou que não haverá perigo de acontecer novamente. “Isso não vai acontecer, a estrada será administrada e terá normas de uso”. Bueno defende ainda que a estrada vai melhorar a economia da região.
| Foto: Divulgação |
![]() |
| A antiga estrada era de chão batido e ligava as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema com mais facilidade |
Visão dos ambientalistas – Por outro lado, biólogos e ambientalistas são contra a reabertura. O Clickfoz conversou com o biólogo do Parque Nacional, Apolônio Rodrigues, e ele explicou a opinião pessoal sobre a discussão.
Apolônio ressalta o fato de não existir mais vestígios de estrada dentro do Parque. Segundo ele, a mata já foi toda reconstituída, os animais já “reconquistaram” seus territórios e para abrir a estrada-parque, é necessário cortar árvores nativas por todo o percurso de 18km, desta forma, o habitat natural dos animais da região será afetado.
“Tem muita gente preocupada com o desmatamento na Amazônia, mas para abrir essa estrada aqui vai ter que fazer a mesma coisa, é muita árvore destruída. No período que a estrada ficou aberta muito bicho morria atropelado, eu acompanhei todo esse processo”, afirma Rodrigues.
Apolônio é contrário a reabertura por questões técnicas e científicas, de acordo com ele o impacto ambiental que a estrada causaria novamente seria irreversível. Muitos animais perderiam território, poderiam até ser expulsos do Parque por outros bichos e acabariam mortos nas propriedades próximas.
O biólogo ainda denuncia as questões políticas “existem outras prioridades, mas essa estrada vai beneficiar um pequeno grupo político, essas cidades têm outras necessidades, e existem caminhos alternativos, não é necessário fazer todo esse estrago ambiental pra reabrir a estrada”.
“A estrada vai atrapalhar o fluxo da biodiversidade do Parque e, pra mim, a conservação é muito mais importante do que estas questões políticas”, finaliza.




