Velhinhos jogando dominó nos Centros de Convivência e praças ou senhoras fazendo tricô enquanto assistem à novela. Por muitos anos essas imagens eram referências ao se falar em aposentados. Contudo, essas cenas estão ficando no passado, dando lugar a idosos com uma agenda movimentada, que contempla a academia, viagens, entre outras atividades. A rotina agitada propicia motivação e, principalmente, uma velhice mais saudável, é o que garantem os profissionais de saúde especializados em gerontologia.
A fisioterapeuta gerontóloga Cristina Ribeiro explica que com o aumento da expectativa de vida e os avanços da ciência – que possibilitam qualidade de vida – não cabe mais pensar apenas na figura do “vozinho” sentado numa cadeira acompanhando passivamente o passar dos dias. “Eles (idosos) querem e podem ter uma rotina produtiva e animada. A postura pró-ativa nesse estágio de vida, especialmente após a aposentadoria é questão de saúde”, alerta a fisioterapeuta. Segundo Cristina, estabelecer projetos e desafios a serem conquistados é motivador e traz benefícios psicológicos e físicos porque levam as pessoas com mais idade a continuarem ativas como agentes sociais.
Segundo o Ministério da Saúde, até o ano de 2050 o Brasil terá 63 milhões de idosos. Prevendo esse novo cenário populacional, o Governo já discute a reformulação das políticas públicas relacionadas à área da Previdência e da Saúde. No cotidiano das pessoas idosas uma nova forma de vivenciar essa etapa da vida também é cada vez mais evidente.
Aposentadoria – O processo de aposentadoria, por exemplo, está passando por adaptações. Algumas empresas, como a Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional, desenvolvem programas específicos para preparar os funcionários para o momento de se desligar do trabalho. “A preparação é fundamental. Imagina a mudança na vida das pessoas que por décadas trabalharam oito horas por dia e, de repente, perdem essa ocupação. Se elas tiverem projetos de vida estabelecidos, essa transição estará prevista e não representará um problema, e sim uma nova fase da vida”, explica Cristina. Ela cita ainda que, não raro, as pessoas que se aposentam sem a devida preparação desenvolvem problemas psicológicos – como depressão – e até físicos, pela mudança no ritmo de vida, resultando em sedentarismo e as patologias decorrentes da falta de atividade física.
Por conta disso, é cada vez mais comum as pessoas se dedicarem a uma nova profissão quando se aposentam. Na maioria das vezes não é visando ganhos financeiros, mas a realização de um antigo desejo ou para aproveitar o tempo, que agora está com menos atividades e mais disponível. O publicitário Vilmar Machado, por exemplo, já sabe qual será seu passatempo na aposentadoria. “Como não dá pra viver de arte nesse País, tive que abdicar da minha paixão pela pintura. Mas, quando me aposentar, voltarei a exercer esse ofício que tanto gosto”, planeja Machado.
Prática de atividades físicas, alimentação balanceada e atenção com detalhes da rotina e as limitações naturais da idade são alguns dos cuidados importantes com os idosos. Os profissionais da gerontologia, que cuidam justamente de todos os aspectos envolvidos no processo de envelhecimento – sociais, culturais e biológicos – defendem o acréscimo nessa lista de “projetos e objetivos de vida”, esteja a pessoa com 10, 40 ou 100 anos. “Meus pacientes que têm projetos de vidas, a curto ou médio prazo, mesmo sendo coisas simples como a meta de voltar a andar ou de fazer atividades cotidianas de forma independente (ir à padaria ou sacar sua aposentadoria sozinhos, por exemplo) respondem melhor ao tratamento. É visível a diferença, além da motivação por continuar produzindo e se relacionando ativamente com o mundo e as pessoas”, finaliza a fisioterapeuta gerontóloga Cristina Ribeiro.


