Proibido Estacionar


Sábado, vinha eu caminhando tranquilamente pela Avenida Jorge Schimmelpfeng, em direção à Fundação Cultural, quando me deparei com uma das cenas mais bizarras que a falta de cidadania pode proporcionar. E tal cena, como muitas que já relatamos aqui, nos faz pensar sobre o que é viver e respeitar a vida em sociedade.

 

A foto acima diz tudo.

Um condutor, completamente fora dos padrões mínimos de cidadania, deve ter entendido que é proibido “estacionar na rua”, mas não na calçada. E, pela posição do veículo, não foi uma simples parada (como quando paramos para entrar em uma garagem). Ele parou mesmo, estacionou. Eu tirei a foto e não havia ninguém no carro, estava fechado. Fiquei ali por cerca de dez minutos e não apareceu ninguém. Ou seja, ele realmente estacionou por ali.

E não se trata de “ingenuidade” ou “falta de conhecimento”. O veículo – de placa paraguaia – deve ter sido colocado ali por alguém que conhece minimamente as placas de trânsito e sabe a diferença entre rua e calçada, não? Então, me coloquei a pensar (e convido o leitor a refletir comigo) sobre os motivos que levaram aquele cidadão da tríplice fronteira a colocar o carro ali:

1 – Cara de pau
Isso é comum na cidade. A pessoa simplesmente para o carro, joga o lixo no chão, etc, por achar “ok, é a vida”.

2 – Cadê a lei?
Impunidade para ele. Tem carro de placa paraguaia, é mais difícil ser multado, etc e tal. As pessoas realmente acham que seguir regras é besteira. E que quem o faz é bobo.

3 – “É rapidinho”
Pensando assim, o camarada para o carro na calçada, obrigando pedestres, idosos, crianças, deficientes e outros cidadãos a ou passar pela rua ou, caso queira, esperar o “rapidinho” de quem não percebe o quanto sua “esperteza” prejudica a vida de todos.

4 – Síndrome de Europeu
Soube por um amigo que, na Europa, há vagas alternativas e regulamentadas sobre as calçadas. Mas, se esse for o caso, o motorista desse caro deve voltar às aulas de Geografia. A Europa não é aqui.

5 – Falta de Vagas
Seria louvável se fosse, mas, ao redor da Igreja São João Batista (onde flagramos o espertalhão), temos o estacionamento da Procuradoria, o da Fundação Cultural, as vagas da Brasil e o estacionamento da própria igreja (já viram o tamanho?)! E era sábado, ou seja, havia bastantes vagas e essa desculpa não serve.

Bom, talvez não saberemos o real motivo.

Porém, uma coisa é certa: precisamos entender a noção de cidade e cidadania. Precisamos, nós e o poder público, saber o quanto ser individualista prejudica as pessoas e nos prejudica. Precisamos rever nossos conceitos e nossos costumes se quisermos ter uma cidade bonita, organizada e digna de nosso povo trabalhador e esforçado.

Eu fui embora pensando na vergonha que nós, moradores, teríamos se víssemos um turista contar que, em Foz, as pessoas de carro, da cidade ou da fronteira, não respeitam nem o direito do pedestre de poder caminhar pela faixa (calçada), que é sua por direito.

 

 


 

 
*Luiz Henrique Dias é escritor, diretor de teatro e estudante de Administração Pública. Siga ele no twitter: @LuizHDias.

 

 

 

 

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