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Era sábado, 19/02/11, retornei exausta do ensaio da peça, que estreou há algumas semanas. Eu queria um banho e cama, pois no domingo, bem cedo recomeçaria o ensaio que se prolongaria pelo dia inteiro. Porém, antes mesmo de abrir a porta de casa, lembrei-me da mostra cultural na Praça da Bíblia. Tomei aquele banho, coloquei um vestido florido, cheio de energia boa e, refeita, me pus a caminho da Praça. Fui a pé. Indo na mesma direção, encontrei um amigo, que além de outras coisas é um cartunista dos bons. Seguimos andando e logo se juntou a nós, a amiga que me esperava numa sorveteria. Ela, por sua vez, é escritora.
Chegamos na praça! Ali estavam acontecendo algumas manifestações artísticas criadas, organizadas e coordenadas pela Casa do Teatro (entidade não governamental existente há quase duas décadas na cidade). Por um momento parei e fiquei observando as pessoas que foram se aglomerando, tranquilamente. Gente de todos os jeitos, cores, formas… Professores, doutores, estudantes, andarilhos, catadores, artistas, crianças, vendedores, etc. Todos dividiam o espaço com os olhares e os ouvidos voltados para as apresentações.
Eu vi o encanto presente no grupinho que lia sobre um tapete mágico. E a magia que se derramou nos ouvidos dessas crianças através da história contada pela atriz. Eu vi a poesia nos olhos de quem recebeu do vendedor de livros uma preleção sobre a arte impressa em cada capa. Participei dos aplausos entusiastas que homenagearam as coreografias da dança de rua. Eu me alegrei com a diversão nas expressões dos que cantavam junto com a bela voz da vocalista da banda. Eu vi a emoção de alguns idosos e até do vendedor de algodão doce, que foi conferir mais de perto o sorriso e a técnica da bailarina.
Pude ver e rever muitas coisas naquele sábado, naquela Praça. Reencontrei pessoas, conceitos, valores. Troquei opiniões com um grande artista do hip hop e, assim, pude sonhar com o dia em que o ato de sair de casa, para ver arte produzida na cidade e ou pela cidade, possa fazer parte da cultura da maioria dos iguaçuenses, paranaenses, brasileiros e de todo o mundo. Para isso, precisamos cada vez mais de iniciativas como essa que aconteceu e de tantas outras, algumas sem tanto apoio, sem tanta estrutura, sem tanta platéia… Mas acontecem. E só acontecem porque o artista se alimenta de sua arte e do que ela proporciona ao outro, como o encanto, a poesia, o entusiasmo, a diversão, a emoção, que pode até ser de raiva, de indignação. Reações estas que nos fazem conhecer e assumir nossa identidade cultural e fazem com que nos sintamos vivos.

Claudia Ribeiro é atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora. Ela também está no Facebook, compartilhando ideias. O e-mail para contato é claudiaamadeus@yahoo.com.br



