Policiais e agentes federais realizam Operação Padrão em Foz do Iguaçu

Na manhã de quinta-feira (24), quem está acostumado a atravessar a Ponte da Amizade – que liga o Brasil ao Paraguai – com facilidade tanto a pé quanto de carro, motocicleta ou ônibus teve uma surpresa. As policias Federal e Rodoviária Federal, junto com os agentes da Receita estavam realizando como forma de protesto uma Operação Padrão. A ação consiste em fiscalizar todos ou grande parte dos carros e pedestres que atravessam de um país para o outro, segundo eles, isso deveria ser feito todos os dias, mas falta profissionais. 

Fotos: Mariana Serafini | Clickfoz
Ação na Ponte da Amizade, ligação com o Paraguai, causou filas da mais de 2km 

Normalmente os policiais da fronteira param um número pequeno de transeuntes, pois a estrutura de trabalho e o número de funcionários são insuficientes para manter um bom fluxo. A operação fez com que o movimento da Ponte da Amizade praticamente parasse. Por volta das 11h a fila atingia quase 3 km de congestionamento. 

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná, Naziazeno Florentino dos Santos Junior, “A fronteira está totalmente desguarnecida, não dá mais pra conviver com isso”, ele explica o porquê, só no feriado, passaram pela fronteira cerca de 50 mil carros, para fazer a fiscalização de todo esse fluxo tinha apenas 3 policiais federais. “Para dar conta deste movimento é necessário pelo menos uns 20, de 20 a 30 policiais”, logo, o trabalho vem sendo feito com 10% do necessário para fazer uma boa fiscalização. 

Florentino citou exemplos de apreensões nos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, e justificou que grande parte das armas e drogas passam pela fronteira sem que a equipe possa impedir, porque a estrutura de trabalho e número de pessoas são insuficientes. 
 

 

 
PFs e agentes da Receita Federal fiscalizavam aproximadamente 100% das pessoas que cruzaram a fronteira

“O objetivo é alertar a população para o descaso que vem acontecendo nas fronteiras de todo o Brasil. A fronteira é uma região crítica para toda a segurança nacional, se não for bem patrulhada e fiscalizada, acontece uma série de crimes nos grandes centros”. Florentino alertou também para os perigos que a sociedade corre quando uma fronteira não é bem fiscalizada, citou o exemplo da epidemia de crack que está acontecendo em quase todo o país. 

“Nós estamos fazendo este movimento para que o Governo Federal trate os trabalhadores da fronteira de uma forma um pouco melhor. Precisa ter melhores condições trabalho, e um bônus salarial”, afirmou. 

A polícia Rodoviária Federal e a Receita Federal enfrentam os mesmos problemas, a estrutura para a fiscalização não condiz com o movimento da região, faltam funcionários e os que se dispõe a trabalhar nesta área não ganham bônus salarial para se manter na região. 

“Esse adicional de fronteira é uma coisa antiga, já existia, tiraram e depois nunca mais regulamentaram de novo, o policial da fronteira tem muito mais trabalho e corre mais riscos que os outros colegas, ele precisa de um incentivo para se manter aqui”, esclareceu Florentino. 

 
A Operação Padrão segue durante todo o dia 23, e os policiais não sabem como será a operação no dia 24, estão esperando uma resposta do Governo Federal para as exigências