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Levei, para meus alunos adolescentes de expressão e comunicação, alguns livros de poesias e contos, de autores de Foz e região e outros de renome nacional e internacional.
Falei brevemente sobre cada escritor e pedi que escolhessem poesias e, em seguida, apresentassem a leitura aos colegas, interpretando-as, porém, e não só declamando como costumam fazer. Expliquei que, quando lemos algo para alguém, somos responsáveis por dar vida às palavras e, em se tratando de poesias principalmente, é preciso capturar-lhes a essência, senti-las e, aí sim, expressá-lo verbalmente com ritmo, pausa, respiração, intenção, musicalidade e projeção vocal adequados.
O espanto e o pasmo foram visíveis em seus olhos e reconheceram que, na escola, nunca lhes haviam ensinado a ler dessa maneira e que fazê-lo agora parece bem estranho, diferente! Pude perceber que aguçar-lhes a sensibilidade, despertando outros sentidos e sentimentos, numa leitura criativa, é algo ainda distante e complexo. Não se faz normalmente e, por conta disso, nossos adolescentes acabam afirmando que não gostam de ler, principalmente poesia, alegando que simplesmente não a entendem.
Não raro vemos campanhas incentivando o hábito de ler, sempre abordando a importância do livro e os benefícios da leitura. Boa teoria, mas penso que isso não é suficiente para conquistar novos leitores apaixonados. Para gostar de ler, é necessário aprender a fazê-lo em profundidade.
É preciso ir além dos textos simples, planos, aqueles sem metáforas, puramente pragmáticos ou técnicos, objetivos e frios. E ler de tudo.
Para isto é de fundamental importância trabalhar a leitura nas escolas com atenção aos aspectos da interpretação. Continuarei com meus alunos nestes exercícios, pois acredito que passarão a ler de outra forma; é só uma questão de tempo para a desconstrução do velho hábito de ler apenas decodificando palavras.
O encantamento vem dos bons poemas, contos, crônicas, artigos literários, textos de teatro, letras de música, romances. Estes nunca serão lidos, se não forem compreendidos no seu contexto criativo de simbologia, polissemia, liberdade, experiência subjetiva e o aspecto lúdico. Esta leitura sim é vida!

*Claudia Ribeiro é atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora.


