Estava eu passando por uma das mais movimentadas áreas urbanas de Foz quando me deparei com uma das cenas mais assustadoras que já presenciei: chovia muito e duas moças correram para se abrigar em um ponto de ônibus, pois, jugavam, lá estariam salvas. Doce engano. O ponto, caro leitor, não tinha cobertura. E as duas, desconsoladas, colocaram as bolsas sobre as cabeças e se puseram a esperar por um ônibus que, como todos sabem, em Foz, demora muito. No outro dia, agora sem chuva, passei para tirar a foto que abre nosso debate de hoje.
Em Foz, devemos concordar, as viagens de ônibus não são tão longas quanto dizem por aí. Elas duram, geralmente, no máximo, 30 minutos. O que mata mesmo é a espera. Em geral, ficamos de 15 a 50 minutos esperando por ônibus, principalmente nos bairros. Eles, muitas vezes, vêm lotados e somos obrigados a embarcar espremidos, pois não saberemos o quanto teremos de esperar pelo próximo. Os horários não são respeitados e a oferta de carros divulgada à população não condiz com a realidade.
E o sofrimento do cidadão começa no ponto. Somos obrigados a ficar em pontos sem estrutura, mal planejados, sem manutenção, expostos à chuva e ao sol que, por essas bandas, é de matar. Pense, amigo leitor, nos pontos centrais: o que tinha na cabeça quem colocou pontos com bancos de ferro em uma cidade onde o sol espanta até o diabo? Basta ficar cinco minutos nos pontos da Almirante Barroso (Mitre), JK (aquele pontão horrível da terceira pista), Catedral ou Batalhão para ver que não dá pra sentar e nem ficar embaixo daquela estrutura construída para assar frangos.
Na foto abaixo, tirada há uma semana no ponto do Batalhão, em frente ao TTU, as pessoas preferem ficar fora do ponto e, quem encara, fica em pé no banco, para tentar esconder o rosto e amenizar o calor.

Convido o leitor a ir até lá e ver como a falta de planejamento já mudou hábitos de passageiros e motoristas. Por volta das 18h, quando o sol ferve, as pessoas se refugiam embaixo de uma árvore que fica há 50 metros do ponto, que fica vazio. Os ônibus, nesse horário, passam a parar lá na árvore (e não no ponto). Chegaria a ser cômico, se não fosse a tragédia urbana em sua mais nefasta face.
Nos bairros, então, nem se fale. Aqueles pontinhos amarelos são equivalentes a nada. Isso quando o ponto não passa de um lugar sem nenhum tipo de aviso, onde a população embarca e desembarca simplesmente por hábito. Na Vila A, perto do Anglo-Americano, tem um desses “pontos fantasma”.
Faça o teste você mesmo: visite outras cidades do Brasil para entender o quanto somos atrasados em matéria de conforto ao usuário do transporte.
Uma das saídas adotadas em cidades-modelo de transporte é a cessão de espaços publicitários nos pontos, com a contrapartida de manutenção. Um bom negócio para todos. Mas, em Foz, nem isso deu certo.
Na foto abaixo, vemos um “ponto-outdoor”, na República Argentina.
Notem como a publicidade é nova, bonita, chamativa. Agora, vejam o ponto. Um horror! Cadê a contrapartida? Veja, nesta outra foto, o estado do assento do ponto. Dá pra se sentar aí? Há justificativa para se poluir visualmente a cidade sem contrapartida alguma ao cidadão?
Construir uma cidade melhor passa, primeiramente, por respeitar o morador, o cidadão. Deslocar-se pela cidade em transporte coletivo é bem mais do que uma necessidade. Torna-se, a cada dia, uma opção para milhares de iguaçuenses. Políticas que beneficiem somente os veículos de transporte particular vão na contramão das mais bem sucedidas políticas urbanas e levam à repetição dos erros ocorridos em outras cidades. Estas, hoje, gastam enormes quantias para tentar reverter esse processo.
Uma cidade mais justa anda de carro, sim, mas anda também de bicicleta, a pé ou mesmo de ônibus. E, para isso, precisamos de calçadas boas (estamos fazendo), ciclovias e transporte coletivo eficiente, barato e confortável. Foz precisa e o cidadão agradece.

* Luiz Henrique Dias é escritor e estudante de Administração Pública. Siga ele lá no twitter: @LuizHDias
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