O espírito da arca


O ESPÍRITO DA ARCA
Desde a noite de segunda-feira, 27/09/11, não se fala em outra coisa. A história da arca, narrada com voz macabra numa peça publicitária da Prefeitura de Foz chamou a atenção de todo mundo. Demorei pra ver o comercial e fiquei um bom tempo “boiando” nos comentários via Twitter e Facebook. Quem não viu, clique e veja: 
 

Quando vi, como todo mundo, fiquei boquiaberto. Tudo parecia sem sentido e a primeira coisa que veio à cabeça foi a mensagem subliminar que poderia conter o vídeo. Itaipu, arca vazia, maldição. Tudo parecia querer dizer algo. Mas o quê, exatamente.

 

“PATRIARCA”
Passado o susto inicial, peguei o telefone e fui falar com o pai da arca (seria o “patriarca”), o secretário de comunicação Elson Marques. Afinal, ficar conjecturando não me levaria a resposta alguma. Depois da conversa, sim, pude avaliar melhor o vídeo e analisar a campanha na qual ele é apenas uma parte integrante. Sim, vem muito mais da arca por aí. Se o planejamento do secretário der certo, a cidade inteira vai se moblizar contra o “iguassuíno”, o mau espírito que saiu da arca e influencia alguns munícipes a cometer atos aterrorizantes: vandalismo, proliferação de doenças, desrespeito no trânsito, sonegação, etc…

FICÇÃO
Segundo Élson, a história da arca é ficção, embora muita gente já tenha trabalhado a hipóteses de ela ter realmente existido. A lenda foi criada para chamar a atenção do telespectador no início do vídeo. Só isso. Depois, devem vir outras ações, como a elaboração de um jogo do tipo ARG, uma espécie de RPG, aonde os jogadores são guiados às fases do jogo através da interação com a mídia – TV, Internet, rádio, etc. A idéia é criar uma batalha de “IGUAÇUENSES x IGUASSUÍNOS”, aonde os cidadãos vão combater os atos nocivos praticados por outros ingratos habitantes da santa terrinha. E é aí que a estorinha começa a ficar legal.

ALARDE
Estratégias desse tipo já foram usadas por diversas empresas de atuação nacional, mas em nível local, creio que seja a primeira ação do gênero. Lembro que, em 2007, quando do lançamento do sedã C4 Pallas da Citroen, a propaganda foi retirada do ar pelo UOL, porque levou leitores a crer que o asteróide Pallas iria se chocar com a Terra. Outros veículos, como o Estadão, veicularam a notícia, cujo o aviso de que se tratava de material publicitário passou despercebido por muitos. Por pouco, não houve desespero generalizado.
Já o creme dental Close-Up foi pioneiro no Brasil a se valer de um ARG para fazer propaganda.

MICO
Se vocês acham que confundir ficção com realidade é coisa incomum, vou contar uma história semelhante que fez um senador da República pagar o maior mico do Congresso. Certa vez, o tucano amazonense Arthur Virgílio usou a tribuna do parlamento para atacar uma empresa que propunha a privatização da Amazônia. Aparentemente, era uma empresa real, com site bem elaborado e de conteúdo convincente. O vídeo, que promovia o convite a empresas para investir em terras na Amazônia, transformando-a em um grande condomínio privado de preservação, ofendeu Virgílio, que saiu em defesa da soberania brasileira. Chegou a convidar a empresa para uma reunião no Senado, antes de saber que tudo não passava de uma estratégia publicitária do Guaraná Antarctica. A empresa fazia parte de um ARG.

ERRO DE CÁLCULO
Explicada a intenção, a história deixa de parecer tão absurda assim. Ta certo que a cinematografia falhou um pouco e alguns fatores, principalmente a falta de tempo, atrapalharam os criadores de passar a mensagem com clareza. Parece, no entanto, que foi um erro de cálculo o maior erro dos responsáveis pelo vídeo. Élson me confidenciou que esperava que a trama fosse demorar mais para repercutir. Ele esqueceu-se que as mídias sociais, atualmente, potencializam a propagação das notícias. Talvez não soubesse daquela pesquisa que apontou que a maioria dos telespectadores, hoje em dia, vêem TV plugados no Twitter ou Facebook. De qualquer forma, com um pouquinho mais de criatividade e elaboração, a peça teria ficado perfeita. E a campanha muito mais eficaz. Como diz meu amigo Marcelo Valente “o bom é o inimigo do ótimo…”

GÊNIOS
Bem, de qualquer forma, fiquei muito curioso para ver esse ARG em ação. Já pensou todo mundo entrando num site ou no Twitter da Prefa para saber qual a próxima ação do game. Entre um movimento e outro, dá-lhe campanha: use o cinto, atravesse na faixa, não jogue lixo, não destrua, cuidado com o mosquito, pára de sonegar ladrão…
No final, ainda há uma chance de que os criadores da campanha ainda saiam dessa história como gênios. Ou não. Quem viver, lerá…

INTOCÁVEL
O mais intrigante nessa história da arca foi ver a forma como alguns se manifestaram. Porque se falou em Itaipu, ficou um monte de gente ouriçado. Que é isso? A Itaipu é intocável, agora? Não se pode mais falar nada da Santa Bi que não tenha sobrenome Samek ou Piolla? Ouvi algo do gênero: “o que o Piolla vai pensar disso?” O mesmo que eu e os outros. Talvez pense um pouco mais – que essa história da arca poderia render boas visitas arqueológicas para a cidade; gente querendo decifrar a frase da tampa. Nesse momento, Piolla tem mais o que pensar. A iminente candidatura de Samek (ou a sua própria) já deve ocupar muito a mente do Gilmar. Isso sem falar em Vote Cataratas, Encontro de Blogueiros, e todo o resto. Uma campanha publicitária teoricamente mal elaborada não é para tirar o sono de Sua Excelência…

DOMINGOS “STJD” MORO
O Foz do Iguaçu Futebol Clube aguarda a marcação de julgamento no STJD, contra decisão do TJD-PR que tirou-lhe seis pontos e o alijou da disputa da Semifinal da Divisão de Acesso. Seu advogado, Domingos Moro, é especialista em atuar no STJD, e começo a pensar que ele prefere levar a briga para lá. Algumas vezes, dá a impressão que ele empurra a decisão para o Superior Tribunal. No julgamento do Foz, notei Moro meio abatido, como quem já sabia aonde aquilo iria parar. Depois, animou-se ao falar das chances no Rio de Janeiro. Essa semana, defendendo o Rio Branco, na guerra contra o Paraná Clube pela permanência na Primeira Divisão, Moro abandonou o julgamento, só porque o presidente do TJD não lhe deixou discursar por último – o código garantia esse direito ao Tricolor, como terceiro interessado. Ele já disse que vai ao STJD, tentar reverter uma situação que era favorável ao Leão da Estradinha, mas que o Paraná conseguiu virar a mesa. Espero que o Doutor Domingos saiba o que faz e consiga dar ao Foz aquilo que ele acha possível: a volta à elite do Paranaense.

EU JÁ SABIA
Tive acesso a um documento da Polícia Federal que comprova o que eu já havia previsto. A Cruzada contra as rádios argentinas não deu em nada. A PF não conseguiu achar vestígios de coisa alguma que incriminem essas emissoras, que transmitem desde Foz do Iguaçu. A operação, porém, evidenciou alguns detalhes estranhos, que eu detalharei na nossa próxima conversa.

 

 

 


 

 

Neste espaço Washington Sena conta um pouco sobre os bastidores da política e do esporte municipal e estadual. Esta coluna mantém um canal direto com o colunista Washington Sena. É o clickfoz@wsena.com.br.

 

 

 

 

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