O Aeroporto que Envergonha

 

Não falo a respeito de sobrevoar as belas paisagens naturais, como as exuberantes Cataratas, ou artificiais, como a majestosa Usina de Itaipu.

Espetáculos únicos, tanto em terra quanto no ar.

Falo sobre a necessidade de, para apreciar tais belezas a partir do céu, ou mesmo para nos deslocarmos a trabalho ou passeio, termos que enfrentar o horror em forma de infraestrutura chamado Aeroporto Internacional Cataratas.

Talvez, eu deixe de lado a questão do tratamento ao turista. Dessa forma, caro leitor, evito dar e este singelo texto uma amplitude infinita, tendo em vista que nossa cidade é visitada, anualmente, por milhares, milhões, de turistas do Brasil e do mundo. Dizer, aqui, sobre a péssima impressão levada por estes visitantes, necessitaria de muito espaço. E todos nós já temos uma noção sobre isso.

Vou, portanto, me limitar, apenas, a comentar o quanto nós, iguaçuenses, de nascimento ou de opção, passamos bons apuros ao tentar utilizar nosso aeroporto.

O problema começa no acesso.

A Rodovia das Cataratas há anos passa por remendos.

Não há iluminação no trajeto e a sinalização é precária. Só agora um acesso pouco mais elaborado foi feito, mas, pelo visto, já está subdimensionado ao fluxo de pessoas e veículos.

Quem opta por ir de ônibus, precisa enfrentar um serviço ruim, caro e demorado. Não há ponto de ônibus, apenas um local desconfortável onde os carros do transporte coletivo param, quando não há uma Van estacionada por lá. Além disso, não há indicação se os ônibus estão vindo do ou voltando para o Centro.

De carro, em muitos horários, é pior. Não há vagas no estacionamento e nem no rotativo. Os gramados são uma opção comum, indicada, inclusive, por alguns funcionários terceirizados que cuidam das redondezas.

Há, também, a máfia da multa. Uma legião de pessoas que, ao invés de ajudar a organizar, passam boa parte de seu tempo aplicando sua caneta impiedosa a todos que estacionam em espaço inadequado, sem levar em consideração a falta de local para parar e estacionar.

Ao entrar no prédio, mais problemas.

A estrutura é velha e feia. A comunicação visual, propagandas, é agressiva demais. Há coisa mais horrorosa que aqueles anúncios de churrascaria com fotos de “shows culturais”, como se isso representasse nossa cidade ou país?

E aquele carnaval no desembarque? Deprimente para quem vê, para quem faz e para quem autoriza fazer.

As lojas são praticamente todas voltadas somente para turistas e a praça de alimentação nada mais é que uma sala com televisores ligados o dia todo em uma única emissora, passando receitas pela manhã, enlatados à tarde e novelas à noite.

Pra quem viaja, depois de todo o transtorno, chegar à sala de embarque é outra tortura: fila no guichê da Receita, onde todo mundo é, por pressuposto, muambeiro, narcotraficante, contrabandista de animal silvestre, etc.

Duas salas de embarque apertadas, ampliadas por remendos, alguns novos inclusive, também horrorosos. Banheiros velhos e mais lojinhas para turistas, dos refinados aos econômicos.

Não me esqueço o dia em que o equipamento de som de uma das salas não funcionou e as mocinhas das empresas aéreas faziam a chamada no gogó. Foi então que apareceu um funcionário da Infraero, com pinta de sabichão, e diagnosticou “equipamento de som queimado” e eu, ao lado, após ele ir embora, me coloquei à disposição para tentar resolver e, num único e certeiro botão, coloquei tudo pra funcionar novamente. Se dependesse do técnico, aquele aparelho havia ido para o conserto e custado, mesmo sem problemas, algumas centenas de reais de dinheiro público para o aeroporto.

Aí se chove empossa tudo no acesso à pista, falta guarda-chuvas, não há ponte de acesso, etc, etc e etc.

E a taxa de embarque? Pra que serve?

O resultado é um mau atendimento ao usuário, morador de Foz ou não, e uma tendência a transformar uma saída de negócios ou o sonho de uma viagem em uma tormenta, em todas as etapas.

E nós, cidadãos, podemos apenas tentar agir com bom-humor e esperar a tão anunciada reforma no Aeroporto Cataratas. Mas, até ela não sair do papel, muita gente vai sofrer para chegar e sair da cidade, ou para estacionar o carro ao levar e buscar alguém, ou para pegar um ônibus, ou mesmo para, num final de semana, como gostávamos de fazer quando crianças, ir ao aeroporto para ver os aviões subirem e descerem, levando para o céu sonhos e pessoas.

 


 

 *Luiz Henrique Dias é diretor da Cia Experiencial o Teatro do Excluído, dramaturgo, escritor de contos e estudante de Arquitetura e Urbanismo e Gestão Pública. Siga ele lá: @LuizHDias