No Dia da Família, ClickFoz mostra o perfil das famílias brasileiras do século XXI

“Que nenhuma família comece em qualquer de repente / Que nenhuma família termine por falta de amor”. O trecho da música Oração Pela Família, do Padre Zezinho profetiza sobre um modelo que seria o mais próximo da perfeição que uma família deveria constituir. No entanto, as mudanças ocorridas nos últimos anos, principalmente nas sociedades das décadas de 70 e 80 do século passado, mudaram o perfil da família moderna.

O que se vê nos dias de hoje não são mais as famílias com o casal e os filhos; o pai de família saindo para trabalhar, as crianças indo ao colégio e a mulher tomando conta de casa, como era de costume há muitos anos atrás. Isso mudou. Hoje em dia não é raro encontrar casas, onde morem apenas a mãe e os filhos, filhos estes, que muitas vezes precisam trazer o sustento para casa. Houve uma inverção dos papéis. Aumentou o número de separação entre os casais.

Para a psicológa Daniele Vefago, os veículos de comunicação de massa têm muita influência nisso, principalmente pela temática das novelas, abordando cada vez mais sobre o tema. “O que se percebe muito nos dias de hoje é que os pais não querem mais tentar uma reconciliação. Na visão deles, é muito mais fácil se separar, do que dar uma nova chance. No entanto, esquecem-se que os filhos sentem muito a separação e na maioria dos casos, as crianças acham que elas são as culpadas pelos pais terem se separado”, avalia Daniele.

Ainda segundo a psicóloga, mais de 90% das crianças têm esperanças de que os pais possam retornar, mas nem sempre isso acontece. “Antigamente casava para a vida toda; hoje não; casa-se até onde dá para levar a relação”, completa. Mas ela ressalta que existem casos em que a separação é a melhor solução, quando a violência doméstica, por parte do marido, acaba prejudicando a convivência familiar.

Mães precoces – Outro problema enfrentado nas famílias atuais, principalmente em lares de classes D e E, são os casos de jovens, entre 14 e 15 anos – às vezes até menos – que ficam grávidas precocemente. Certamente traz abalos para toda a estrutura familiar. “Essas jovens não têm maturidade para serem mãe, perdem parte da juventude, até da infância, já que cheguei a atender uma criança de 12 anos e que ficou grávida. Essas garotas deixam de ter o papel de filha e passam a ocupar o papel de mãe, uma responsabilidade da qual elas ainda não estão preparadas”, explica novamente Daniele Vefago. A falta de projetos de prevenção à gravidez na adolescência, ainda de acordo com Daniele, pode agravar cada vez mais a situação.

Adoção por casais homossexuais – É certo que a estrutura das famílias mudou em relação aos últimos anos. Hoje elas nem sempre são compostas por parceiros heterossexuais. Casais homossexuais que tentam adotar crianças, enfrentam grande parte da sociedade, que se divide nas opiniões. A Justiça brasileira permite a adoção por casais homossexuais, no entanto, a criança é registrada no nome de apenas uma pessoa, embora os dois cuidem dela.

Mas para a psicóloga Daniele Vefago, antes de conceder a guarda de crianças aos casais, é preciso fazer uma avaliação psicológica com os pais adotivos. “O ideal seria que a criança definisse claramente o papel de pai e o papel de mãe. Isso fica comprometido quando o casal é do mesmo sexo. É preciso tomar cuidado também com o preconceito que essa criança poderá sofrer no colégio, na rua, onde quer que seja. As pessoas não costumam aceitar muito bem isso”, finaliza.

Apesar das muitas diferenças que envolveram as famílias nas últimas décadas, uma boa base familiar continua sendo um dos pilares que formam o cidadão. É na família que encontramos afeto, carinho, amor e nos sentimos protegidos. É como diz um ditado popular: “Família é tudo em nossas vidas”. Embora nem todas as pessoas tenham o privilégio de poderem contar com uma família. Ainda assim, o dia 8 de Dezembro é comemorado o Dia da Família e em tempos de conflitos sociais, guerras, separações, a data merece cada vez mais, ser comemorada.