Veterinários, biólogos e tratadores do Refúgio Biológico Bela Vista de Itaipu comemoram mais um sucesso do projeto de reprodução de harpia em cativeiro. Agora já são cinco filhotes da ave reproduzidos no local. O mais novo integrante da família nasceu há duas semanas e passa bem.
| Fotos: Itaipu Binacional |
| Ave nasceu com 73,8 gramas e, com 15 dias, já pesa 514 gramas |
O nascimento do bebê-harpia foi registrado no último dia 16. O projeto de reprodução das harpias em cativeiro, desenvolvido pelos veterinários e biólogos de Itaipu, em breve vai virar documento para orientar, em outros lugares do País, a reprodução desses animais ameaçados de extinção. A mais forte ave de rapina do mundo, a harpia atinge quase um metro de altura e chega a pesar até nove quilos.
A reprodução de harpia em cativeiro é muito difícil. Por isso, o filhote recebe atenção especial: é mantido numa incubadora com temperatura e umidade controladas.
Além disso, ave recebe diariamente cinco refeições – a comida é servida diretamente na boca, com a ajuda de uma pinça. Ainda não é possível saber qual é o sexo da harpia, isso porque a identificação é feita com base na curva de crescimento da ave. As fêmeas crescem mais.
A vida boa não para por aí. Para se desenvolver, ficar forte e, ao mesmo tempo, saudável, o filhote recebe vários estímulos. A mordomia inclui a reprodução do canto de outras harpias, uma espécie de aconchego longe dos braços da mãe.
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| Dupla de filhotes nascida em maio do ano passado: provas vivas do sucesso da reprodução em cativeiro |
Câmaras de cria – No criadouro do Refúgio de Itaipu, as harpias são reproduzidas em ambientes sem nenhum contato visual com o espaço externo. O recinto tem apenas uma abertura na parte superior para o banho de sol. A comida é colocada por um cano de PVC. Esta medida ajuda a evitar o vínculo alimentar com o ser humano, que pode interferir na reprodução.
O início – O primeiro exemplar macho de harpia chegou ao Refúgio no dia 2 de setembro de 2000. A ave tinha cerca de dez meses de idade e pesava 3,5 quilos. A harpia foi encontrada pela Polícia Civil num bairro de Foz do Iguaçu.
Dois anos depois, veio uma fêmea. A ave foi enviada pelo zoológico de Brasília, um voto de confiança importante para o sucesso na formação do casal.
De abril de 2002 a julho de 2004, cada um vivia num recinto diferente. Os veterinários decidiram investir na formação de um casal. O casamento seria a consequência natural de um longo namoro a distância. Inicialmente, os dois tiveram contato visual e auditivo por uma janela de aproximação instalada entre os dois recintos.
A ‘barreira’ foi quebrada em novembro de 2005. Em março de 2006, houve a primeira postura. E, depois, várias outras, sem sucesso. Em 2009, dois filhotes sobreviveram. E em 2010 nasceram e sobreviveram outros dois. No mesmo ano, em dezembro, o refúgio recebeu do Parque das Aves uma harpia macho. A família cresceu com o nascimento do quinto filhote, agora, em janeiro.



