Intervenção na Prefeitura de Ciudad del Este começa nesta segunda; Miguel Prieto faz apelo por calma e paz

Processo de transição terá início na segunda-feira (23). Prefeito, alvo de acusações por corrupção e má gestão, pede que a população evite confrontos durante a intervenção.

A partir desta segunda-feira (23), Ciudad del Este passará por uma intervenção administrativa determinada pela Controladoria Geral da República do Paraguai. A medida, que terá duração de 60 a 90 dias, tem como objetivo investigar possíveis irregularidades na gestão do prefeito Miguel Prieto Vallejos, que atualmente acumula 39 denúncias no Ministério Público paraguaio.

O interventor, Ramón Ramírez Caballero, nomeado pelo governo paraguaio chegará à cidade às 9h, quando acontecerá o processo formal de transição de poder. A partir desse momento, o interventor assumirá o cargo de intendente municipal interino, com total responsabilidade sobre a administração da cidade.

Miguel Prieto faz apelo por paz e diálogo

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Miguel Prieto pediu calma, respeito e tranquilidade à população durante o processo. O prefeito orientou que aqueles que quiserem acompanhar a transição se concentrem no pátio da Junta Municipal, considerado um espaço seguro e controlado.

Não queremos uma guerra, queremos paz. Quem for acompanhar, que fique na Junta Municipal, em um local seguro e bem coordenado. Depois, eu mesmo vou até lá para dialogar com vocês”, declarou Prieto.

O prefeito também ressaltou a importância de não prejudicar o comércio local e os setores produtivos da cidade. Segundo ele, Ciudad del Este começa a mostrar sinais de recuperação econômica, o que exige responsabilidade e equilíbrio de todos os envolvidos.

Queremos que esse processo siga com objetividade e sem atrapalhar quem vem pagar impostos ou trabalhar no comércio e nas indústrias”, enfatizou.

Um prefeito sob pressão: 39 denúncias e acusações de corrupção

O pedido de calma feito por Prieto ocorre em meio a um cenário político tenso. Desde o início de seu mandato, em 2019, o prefeito acumula 39 denúncias no Ministério Público do Paraguai. Para conseguir comandar a segunda mais importante cidade do Paraguai, Prieto teve que comprar muitas brigas, incluindo nessa lista o “desmantelamento” de parte da Polícia Municipal de Trânsito, afastando de uma só vez, cerca de 60 agentes que acumulavam acusações de corrupção.

Miguel Prieto e os novos membros da Policia Municipal de Trânsito. Foto: Divulgação MCDE

Na mesma semana, 74 novos agentes que haviam sido treinados na instituição da Reserva Ativa da Marinha de Ciudad Del Este foram apresentados á população.

Entre os casos investigados está a campanha “Navidad Sustentable” (Natal Sustentável), promovida pela prefeitura, cujo uso de recursos públicos é questionado pela Controladoria Geral da República (CGR). Para o controlador Camilo Benítez, houve gastos fora do padrão e sem a devida transparência.

Em resposta, Prieto adotou um tom irônico nas redes sociais, chegando a fazer uma “paródia” listando teatralmente os tipos de crimes pelos quais é investigado.

A intervenção foi autorizada após um relatório da Controladoria Geral da República, que apontou indícios de irregularidades em contratos e processos administrativos conduzidos pela Prefeitura de Ciudad del Este.

Oposição acusa golpe político

A intervenção na Prefeitura de Ciudad del Este também despertou críticas de lideranças da oposição. Guillermo Rodríguez, aliado de Prieto, afirmou que o prefeito é “o político mais importante que a oposição tem hoje”, e acusou o Partido Colorado, que governa o Paraguai, de tentar retomar o controle da cidade através de manobras políticas ilegais.

Rodríguez citou episódios anteriores da política paraguaia para reforçar o argumento, mencionando o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, a cassação do ex-prefeito de Assunção, Mario Ferreiro, e a destituição da ex-senadora Kattya González.

Lideranças como o deputado Raúl Benítez (independente) e o liberal Adrián “Billy” Vaesken também questionaram os critérios da CGR, sugerindo que a mesma diligência fosse aplicada a casos de suposto superfaturamento na Itaipu Binacional.

Aqui não incomoda a falta de recibo ou de nota fiscal. Incomodam as 1.300 obras, as usinas de asfalto, os ônibus elétricos e os investimentos em saúde que foram feitos com milhões de dólares”, afirmou Rodríguez.

Para muitos opositores, o real objetivo da intervenção seria desgastar politicamente Miguel Prieto, visto como uma potencial ameaça eleitoral para o governo em 2028, quando o prefeito planeja concorrer à Presidência da República.

Durante o período de intervenção, a equipe designada terá acesso irrestrito a documentos, contratos e sistemas internos, podendo realizar auditorias, inspeções e entrevistas com servidores. Ao final, será apresentado um relatório detalhado, com possíveis recomendações de medidas administrativas e judiciais.

O clima em Ciudad del Este é de tensão, mas o próprio Prieto tenta reduzir os ânimos. Seu discurso público reforça o pedido por paz, diálogo e responsabilidade social, numa tentativa de evitar confrontos e preservar a estabilidade local.