Iguaçu x Iguazú

 

 

Quem chamou a minha atenção para o tema foi o colega Hélio Lucas (www.hlucas.com.br), em uma edição de seu blog. O fato de as Cataratas argentinas terem recebido um maior número de visitantes do que o Parque Nacional do Iguaçu não pode passar despercebido. Com todo o respeito devida a nossa vizinha-irmã argentina, não podemos nos contentar sequer com o “empate técnico”, que vem se observando ano a ano.

 

Pelas informações que coletei, ouvindo autoridades do setor, temos recebido anualmente cerca de 10% mais turistas do que o parque argentino. Precisamos averiguar o que está ocorrendo, afinal temos muita coisa jogando a nosso favor.

Ações privadas

Não bastassem as iniciativas lançadas individualmente pelas empresas que operam no setor, há muitas forças trabalhando a favor de Foz. Quando falo dessas iniciativas, falo de ações independentes de investimento público. Falo da movimentação autônoma das agências de turismo, dos hotéis de nossa cidade, das companhias aéreas que não param de nos presentear com seus vôos – já são 25 diários. Enfim, há muito sendo feito pela iniciativa privada.

 

Somem-se a isso, os investimentos feitos pelo Fundo Iguassu e a ação pesada intermediada pela Itaipu Binacional, que quis ajudar e acabou ficando quase que como gestora do turismo da Fronteira.

 

Assim, temos de nos perguntar: por que estamos recebendo menos do que a Argentina?

Causas

Ouvi muitas alegações como causa desse fato. Isoladamente, atribui-se que fevereiro é um mês em que Puerto Iguazú recebe mais turistas do que Foz. Isso se dá em função do prolongamento das férias argentinas. Mas, temos de analisar que os números anuais é que nos preocupam.

 

Outro fato alegado é que a crise econômica argentina retraiu a emissão de turistas, que hoje viajam mais dentro do próprio país. No Brasil, viaja-se muito ao Exterior, é verdade, mas também tivemos um crescimento no turismo interno.

 

Adélio Demeterko, da Cataratas S/A foi quem me deu os argumentos mais convincentes. Segundo ele, há muitos países cujos cidadãos podem entrar na Argentina sem burocracia (não necessitam de vistos). Nisso incluem-se americanos, mexicanos, outros turistas de origem hispânica. Outro fato destacado por Adélio é que a divulgação do turismo na Argentina – que já é conhecido por suas belezas naturais – está concentrada no destino Cataratas. Já o Brasil começou a divulgar as Cataratas de maneira mais veemente há pouco tempo. Sempre fomos preteridos ao Rio, Nordeste e outros destinos.

Falha nossa

Acho que os nossos problemas vão um pouco além disso. Não vou falar de estrutura, porque seria covardia comparar Foz com Iguazú. Basta analisar o feriadão de Carnaval. Com metade dos turistas que Foz recebeu, os argentinos foram ao caos.

 

Falemos, então, de onde temos errado. Primeiramente, acho que nossas estratégias de divulgação devem ser revistas. O patrocínio à escola de samba gaúcha deixou isso claro. Técnicos devem ser consultados antes de se aprovar campanhas, viagens e ações de divulgação. Se gasta com a consultoria, mas se ganha com o retorno de um investimento dirigido.

 

Por mais que a divulgação esteja reforçada, acredito que as informações negativas sobre Foz têm nos atrapalhado. Liderar ranking de mortalidade juvenil não é um título invejado por nenhum destino turístico. Ainda somos vistos como uma cidade muito violenta. Há quem tema mais Foz do que o Rio. Lá, o eixo turístico tem policiamento ostensivo; aqui, nem sempre. Quem duvidar, basta dar um pulinho no Marco das Três Fronteiras.

“Gestão integrada”

A gestão integrada apregoada em Foz, lá no fundo é uma balela. Como citei, há ações autônomas da iniciativa privada em curso e as ações do Fundo Iguassu, capitaneadas pela Itaipu Binacional. O Município pouco tem feito pelo turismo. As ações resumem-se a participações em feiras, cujo retorno chega a ser duvidoso, principalmente para quem atua no setor.

 

Os órgãos não se entendem. Recentemente, o Comtur disse que foi “atropelado” pela Secretaria, no tão falado patrocínio da escola de samba de Porto Alegre. O Fundo Iguassu acabou tirando o papel do Convention Bureau, já que tem uma atuação mais ampla do que defender um grupo de mantenedores.

 

O retrato da falta de sintonia da Administração Municipal com o turismo de Foz evidenciou-se no Carnaval. Em plena segunda-feira, com a cidade recebendo mais de 30 mil turistas, mandaram interditar a subida da Avenida Paraná, complicando a vida de quem vinha da Avenida das Cataratas, o principal corredor turístico da cidade.

Contingências

Temos duas questões pontuais a serem tratadas. Primeiro, o turismo interno no Brasil tem crescido bem acima do PIB. Nós, por outro lado, também temos crescido, mas abaixo dos números nacionais. Então, não temos um crescimento satisfatório. Afinal, os atrativos da Fronteira são diversos e deveriam pesar mais do que tem pesado os apelos de outros destinos. Até quando vamos perder para Gramado (RS)?

 

Outra questão, e essa têm de ser tratada com muito cuidado é o fato de o Brasil ter caído no ranking mundial do turismo, segundo o Fórum Econômico Mundial. De 38º em 2010, caímos para o 52º lugar, embora ainda sejamos os campeões em riquezas naturais – ponto que Foz contribui sobremaneira.

 

Essa decadência pode gerar comodidade e estagnar ainda mais a nossa luta pelo crescimento. Então, vamos nos concentrar na liderança conquistada (a das belezas naturais) e fazer o nosso comercial em cima disso, internacionalmente.

 

Em alguns meses, teremos uma das sete maravilhas contemporâneas e temos de preparar nossas estratégias desde já.

 

E vem ai a Copa do Mundo. Mas esse é outro assunto…

Palácio Rosado

O Hotel das Cataratas foi relacionado entre os 50 melhores hotéis do mundo pelo jornal inglês The Telegraph. Com chamada intitulada Os 50 Melhores Hotéis do Mundo, na capa da seção Hotéis, o diário destaca nosso palácio rosado, chamando a atenção para seu estilo colonial, o piso de madeira e o amplo jardim tropical. Além disso, o The Telegraph relata a experiência de poder acordar diante das Cataratas – descritas como um oceano caindo num abismo – e caminhar pela floresta rica em pássaros e plantas coloridas.

 

O jornal não se preocupou em fazer um ranking dos hotéis listados. Os dez primeiros, são hospedagens até 150 libras. A seguir, relaciona 19 hotéis com diária entre 150 e 300 libras – incluindo o Hotel das Cataratas – e finaliza com 21 hotéis com diária acima das 300 libras.

 

Isso transforma o hotel em mais um atrativo da Fronteira. Quem não pode se hospedar lá, pelo menos vai querer conhecer de perto…

The Telegraph

O jornal The Telegraph é um dos principais jornais britânicos. Em formato standard (como a Folha de São Paulo e a Gazeta do Povo), já chegou a ter circulação de mais de 900 mil exemplares diários, 40% a mais que o The Times e 2,5 vezes maior que o The Guardian.

 

É, portanto, um veículo de grande importância, que vai colaborar em muito com a divulgação do Destino Iguassu.

 

Como disse, tem muita coisa ajudando Foz, ultimamente.

 

Rádios

Semana que vem, volto a falar sobre a Cruzada contra a pirataria no rádio.

 

 


 

 

Washington Sena é colunista do Clickfoz. Neste espaço ele conta um pouco sobre os bastidores da política e do esporte municipal e estadual. Esta coluna mantém um canal direto com o colunista Washington Sena. É o clickfoz@wsena.com.br. Além das “Pérolas do Rádio”, pode mandar elogios, reclamações, sugestões, críticas. Fique à vontade.