Furnas recebe multa pelo apagão de novembro de 2009

A estatal Furnas foi multada em R$ 53,7 milhões por conta do apagão que deixou o país às escuras no final de 2009. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entendeu que houve falhas no sistema de proteção das subestações de Itaberá (SP) e Ivaiporã (PR), ambas sob responsabilidade da estatal. Ainda poderá haver multas para outras empresas envolvidas.

O sistema brasileiro é interligado e, por isso, falhas que acontecem em um determinado lugar se propagam para quase todo o país, com exceção da região Norte, que é isolada. No blecaute do final do ano passado, houve curto-circuito nas linhas que ligam a hidrelétrica de Itaipu ao Sudeste do país. Os sistemas de proteção deveriam ter isolado o problema na região, mas isso não aconteceu.
 
Além de Itaipu, as usinas nucleares de Angra 1 e 2, no Rio de, foram desligadas, bem como todas as hidrelétricas no Estado de São Paulo. Pelo menos 15 linhas de transmissão deixaram de operar. O Paraguai perdeu 980 MW, o equivalente a aproximadamente 54% da carga do país.
 
O blecaute atingiu 18 Estados brasileiros. Em quatro deles (SP, MS, RJ e ES), a falta de energia foi total; foi parcial em MG, MT, GO, RS, SC, PR, AC, RO, BA, SE, PB, AL, PE e RN. Pelo menos 1.800 municípios foram afetados.
 
A duração da falta de luz variou conforme o Estado. São Paulo foi o mais atingido. De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Estado ficou sem energia durante 4h16.
 
Além disso, do total da energia retirado do sistema elétrico, 68% se concentrou em São Paulo. Na média ponderada feita pelo ONS, a duração do blecaute foi de 3h42 em todas as regiões atingidas. 
 
Apagão elevará contas de luz – Não vai ser só a estatal Furnas, que vai pagar a conta do apagão. Consumidores do Sul e do Sudeste terão impacto de até um ponto percentual a mais nas contas. A alta extra é resultado da ligação de termelétricas para suprir o desligamento de Itaipu. A geração térmica é mais cara do que a hídrica.
 
A justificativa da multa para Furnas foi por falha na manutenção do sistema de proteção das subestações de Itaberá (SP) e Ivaiporã (PR). A Aneel prometeu apertar a fiscalização na transmissão.