Foz Futebol Clube teve um ano de erros dentro e fora de campo

 

Foto: Daniel Coutourke
Pedro Caçapa foi demitido antes do campeonato e retornou ao time no final da temporada

A vaga para a Primeira Divisão havia escapado por muito pouco das mãos do Foz do Iguaçu Futebol Clube na temporada de 2010. Para o ano de 2011, a diretoria prometeu ser diferente; afinal, a torcida esperava por isso. Em meados de março foi anunciado o nome de Pedro Caçapa para o comando técnico da equipe iguaçuense.

 
Caçapa era um velho conhecido do time. Foi auxiliar técnico do Foz na Divisão de Acesso de 2008, chegando a assumir como treinador interino em algumas partidas, principalmente após a demissão de Roberto Costa logo após a terceira rodada e a queda de Carlos Alberto Soav, o Betão, a duas rodadas de terminar o quadrangular final. Estava tudo certo para Caçapa treinar o “Azulão da Fronteira” em 2011, não fosse uma falta de comunicação entre treinador e diretoria.
 
Vamos por partes. Caçapa havia combinado com o diretor financeiro, Arif Osman e o presidente do clube, Loiri Dalla Corte, de que estaria na cidade para iniciar os trabalhos na segunda-feira, 25 de abril. O treinador só se apresentou na quarta-feira, 27. A alegação é de que sua esposa teve problemas de saúde e precisou ficar alguns dias a mais em Campo Mourão, onde resolvia problemas particulares. A diretoria disse que não foi informada sobre isso, pois não conseguiu o contato com Caçapa, que não atendeu aos telefonemas de Loiri e Arif.
 
Paralelo a isso, Claudemir Sturion desembarcava na cidade, a princípio para ser gerente de futebol, cargo então inédito no Foz FC, que sempre teve as questões burocráticas resolvidas por Arif e o “Loli”, como é conhecido o presidente Loiri. Mas com o atraso de Caçapa, Sturion ficou em uma espécie de “sobreaviso”, podendo ser anunciado como técnico. No final, Caçapa se sentiu traído com essa atitude da direção do Foz e pediu demissão. E quando todos pensavam que o técnico seria Claudemir Sturion, eis que surge Richard Malka, ex-Roma de Apucarana. Mas o bom trabalho de Malka no time do Norte do Estado não foi repetido no Foz. Em oito jogos, acumulou quatro derrotas, um empate e três vitórias. O próprio Malka pediu demissão.
 
No começo do segundo turno, todos foram surpreendidos com o anúncio de Pedro Caçapa novamente no comando técnico do Foz, como se nada tivesse ocorrido antes do Campeonato. Fato é que a campanha foi boa na segunda parte do Acesso. Em nove jogos, teve seis vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Conseguiu, dentro de campo, uma classificação heróica diante do Londrina no estádio do ABC, após estar perdendo por 3 a 1 e buscar o empate embaixo de muita chuva.
 
Caso o Londrina tivesse ganhado aquele jogo, válido pela última rodada no dia 31 de julho, seria o campeão antecipado, já que conquistaria o segundo turno e, como havia conquistado o primeiro, garantiria o título e, de quebra, levaria o segundo colocado na classificação geral, no caso o Toledo. Mas isso não ocorreu, graças ao Foz, que com o resultado fez do Toledo o campeão do segundo turno, obrigando uma semifinal entre os quatro primeiros da classificação geral, na soma dos dois turnos. Porém, um balde de água fria atingiu o time da tríplice fronteira no dia seguinte. O Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) condenou o Foz com a perda de seis pontos, pela utilização irregular do lateral direito Alisson no jogo contra o Sport de Campo Mourão, onde deveria ter cumprido suspensão pelo terceiro cartão amarelo. A diretoria se defendeu, dizendo que Alisson pagou a suspensão na rodada anterior, contra o São José. O detalhe é que o São José havia desistido do torneio e todas as equipes que teriam que jogar contra ele, ganhariam automaticamente três pontos, mas não seria considerado W.O. 
 
O W.O é quando uma equipe não comparece ao estádio na data do jogo. Se o time adversário e o trio de arbitragem estiverem no local, a súmula é assinada normalmente e o time que compareceu ao jogo é considerado vencedor por 3 a 0. Não foi o caso do São José, que desistiu do campeonato e, conforme o regulamento da própria Federação Paranaense, o vencedor teria o placar mínimo de 1 a 0, sem súmula alguma do jogo que não ocorreu. Ou seja, o argumento do Foz não convenceu os auditores do TJD-PR e a punição foi mantida. Desta forma os semifinalistas foram o Londrina, que enfrentou o Nacional de Rolândia e o Toledo, que encarou o Metropolitano, de Maringá. Passaram para a final Londrina e Toledo, os dois que subiram à Primeira Divisão de 2012.
 
E mais uma vez o Foz FC permaneceu na Divisão de Acesso. Mais por erros de bastidores, do que incompetência dentro de campo. É claro que se tivesse feito uma boa campanha no primeiro turno, até poderia ter perdido os seis pontos, que ainda assim poderia estar entre os quatro. Agora terá que começar tudo de novo, em busca da sonhada classificação à Primeira Divisão do Paranaense.