Passaram-se 416 dias desde que o Foz do Iguaçu Futebol Clube disputou sua última partida oficial. Sem treinador, já que Rogério Perrô pediu demissão antes da última rodada da primeira fase do Campeonato Paranaense da Primeira Divisão, o time iguaçuense foi goleado pelo Toledo, no estádio 14 de Dezembro e acabou rebaixado à Segunda Divisão Estadual.
Desde então, o clube esteve perto de fechar as portas. A diretoria, formada pelo presidente Loiri Dalla Corte (Loli) e o diretor-financeiro Arif Osman, chegou a fazer uma parceria com um clube de fora, a AFA, representando a cidade de Foz do Iguaçu, para retornar antes do previsto à elite do futebol paranaense. Não deu certo. Comandado novamente por Rogério Perrô, até avançou à próxima fase na última rodada, mas fez a pior campanha na fase seguinte.
Com os trabalhos voltados ao "Azulão da Fronteira", como é chamada pela torcida do Foz FC, Loli e Arif tentam retomar o caminho da Primeira Divisão, da qual garantem ter aprendido a lição de 2009 e prometem não repetir os erros em 2011, caso o time suba. Para comandar os jogadores à beira do gramado, um especialista em Divisões de Acesso: Carlos Nunes.
Experiência – Nunes subiu o Serrano de Prudentópolis por dois anos seguidos. Em 2008 avançou com o time da Terceira para a Segunda Divisão Paranaense. Em 2009 conseguiu o grande feito. Levou o time do Serrano a disputar pela primeira vez a Série A do Paraná. Só que em 2010 não teve o mesmo sucesso de anos anteriores e foi demitido. Agora no Foz FC tem a missão de elevar o time da tríplice fronteira de volta à elite.
| Foto: DC Mais |
![]() |
| Claudemir Sturion esteve punido em 12 de 20 jogos no Foz FC |
Várias alterações – De 2007 a 2010, Carlos Nunes será o sexto treinador diferente do Foz FC. A sequência começou com Claudemir Sturion, na Divisão de Acesso de 2007. Foi o único a começar e terminar um campeonato no time. Embora o Foz não tenha conseguido subir, Claudemir e seus jogadores brigaram pela vaga até a última rodada. No entanto, Sturion ficou 12 partidas, de 20 disputadas, fora do banco de reservas, punido por ofensas a árbitros ou reclamação. Teve que assistir aos jogos do lado de fora da área técnica.
No ano seguinte, em 2008, o experiente goleiro de Atlético-PR e Vasco, Roberto Costa, começou os trabalhos no Foz Futebol Clube. Venceu a primeira partida em Francisco Beltrão por 3 a 2 na estreia. Depois perdeu para o Roma por 4 a 2 em Apucarana e voltou a perder para o Nacional de Rolândia, no ABC, por 2 a 1. Foi o suficiente para a diretoria mandá-lo embora. Ainda na primeira, no começo do segundo turno, veio Carlos Alberto Soav, o Betão.
Melhor aproveitamento – Betão conquistou sete vitórias em nove jogos no comando do Foz. Foram cinco só nos seis jogos que disputou na primeira fase. O único jogo que não venceu, também não perdeu. Empatou sem gols com o Sport de Campo Mourão. Começou o quadrangular final perdendo para o Operário em Ponta Grossa, por 1 a 0. Depois, duas vitórias seguidas no ABC: 3 a 0 contra o Francisco Beltrão e 2 a 1 contra o Nacional.
Mas foi no jogo seguinte a partida que marcou a inesperada despedida de Betão do clube. O Foz foi até Rolândia, no Norte do Paraná, iniciar o segundo turno do quadrangular final da Divisão de Acesso. Terminou o primeiro tempo perdendo por 1 a 0 para o Nacional. No intervalo de partida, houve discussão no vestiário entre o treinador e o presidente Loli. O motivo? A recusa do jogador Brito, meio-campo, em entrar no segundo tempo, alegando estar "chateado" por não ter começado como titular.
Abatido em campo, o Foz Futebol tomou outros três gols. Até fez um, mas era tarde. Placar final de 4 a 1 para o adversário e demissão de Betão anunciada. A diretoria chegou a demitir também Brito, mas a pedido dos jogadores, voltou a atrás, mantendo apenas a demissão do treinador. Restavam dois jogos para o fim do campeonato e o time corria sérios riscos de não classificar. E quase não classificou. Pois nos jogos seguintes, comandado pelo auxiliar Pedro Caçapa, empatou em dois gols com o Fancisco Beltrão fora de casa e encarou toda a confusão com o Operário de Ponta Grossa, no ABC, quando o time visitante invadiu o gramado aos 42 do segundo tempo, no momento em que o árbitro marcou um pênalti a favor do Foz, quando o jogo estava empatado em 1 a 1. Caso o Foz fizesse, o time subiria à Primeira Divisão. A decisão foi parar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva e o Foz ficou com a vaga.
Com isso, garantiu também a presença na Copa Paraná, onde somente clubes da Primeira Divisão e os dois classificados da Divisão de Acesso participavam. Foi chamado para comandar o time iguaçuense novamente Claudemir Sturion. Esteve próximo de vencer o primeiro turno, o que garantiria o time na final do torneio, mas falhou. Foi demitido no começo do segundo turno da competição e o Foz de novo ficou sem treinador.
Na Primeira Divisão, a tarefa de conduzir o clube no rumo das vitórias coube a Sérgio Moura. Só que Moura não foi bem na primeira fase e a diretoria anunciou a contratação de Rogério Perrô, sonho antigo de Loli. O sonho acabou frustrado, e Perrô, após seis partidas, onde teve 50% de aproveitamento, pediu demissão, deixando o clube às vésperas da partida mais importante de sua história. Agora, Carlos Nunes buscará mudar esse roteiro. E o primeiro capítulo acontece no domingo (16), às 15h30, contra o Londrina, no ABC.



