Foz do Iguaçu e Curitiba entram no ranking das cidades mais caras do mundo para viver

Plataforma internacional Expatistan aponta dez cidades brasileiras entre as 140 com maior custo de vida; no Paraná, Foz do Iguaçu e Curitiba marcaram presença na lista.
Bosque Guarani em Foz do Iguaçu. Foto: Marcos Labanca/Divulgação AMN.

Um levantamento divulgado em julho pela plataforma colaborativa Expatistan colocou Foz do Iguaçu e Curitiba na lista das 140 cidades mais caras do mundo para viver. O ranking considera gastos com moradia, transporte, alimentação, vestuário, saúde e lazer, refletindo o impacto direto desses itens no orçamento das famílias.

De acordo com os dados, Curitiba ocupa a 116ª posição no ranking global, atrás apenas de São Paulo e Florianópolis entre as cidades brasileiras. Já Foz do Iguaçu, aparece na 133ª colocação, reforçando como o custo de vida na tríplice fronteira vem crescendo nos últimos anos.

CONFIRA O RANKING COM AS 140 CIDADES DA LISTA

As cidades mais caras do Brasil

Segundo a Expatistan, as dez cidades brasileiras com maior custo de vida são:

  1. São Paulo
  2. Florianópolis
  3. Curitiba
  4. Campinas
  5. Rio de Janeiro
  6. Belo Horizonte
  7. Rio Preto
  8. Salvador
  9. Foz do Iguaçu
  10. Bauru

A plataforma é utilizada mundialmente para comparar custos de vida em cidades e funciona de forma colaborativa, reunindo preços reais enviados por moradores locais. A ferramenta é muito usada por profissionais e famílias que planejam mudanças, oferecendo uma estimativa confiável de despesas cotidianas.

Por que Curitiba e Foz do Iguaçu são caras?

Consultado pelo portal de notícias Bem Paraná, o professor doutor Sérgio Czajkowski, especialista em comportamento do consumidor e cidades inteligentes, afirmou que o alto custo de vida em ambas as cidades está relacionado a infraestrutura consolidada, valorização imobiliária, turismo e fluxo internacional de pessoas e negócios.

Parque Tanguá, em Curitiba. Foto: Kaká Souza/Portal Clickfoz.
Parque Tanguá, em Curitiba. Foto: Kaká Souza/Portal Clickfoz.

Curitiba passou por uma transformação nas últimas décadas. Nos anos 1970, o motor da economia era a Cidade Industrial (CIC). Hoje, a capital se destaca pelos serviços, turismo de negócios, inovação e startups.

“A cidade, que antes tinha foco industrial, passou a migrar gradualmente para o setor de serviços e inovação, principalmente com políticas públicas recentes”, explica Czajkowski.

O movimento atrai profissionais qualificados com alto poder aquisitivo, que concentram demanda em regiões nobres, próximas a áreas verdes e bem estruturadas, pressionando o mercado imobiliário e os preços de serviços.

Vista aérea do Trevo do Charrua, em Foz do Iguaçu. Foto: Vídeo UP/Divulgação AMN.
Vista aérea do Trevo do Charrua, em Foz do Iguaçu. Foto: Vídeo UP/Divulgação AMN.

Foz do Iguaçu possui uma dinâmica singular. A cidade recebe diariamente turistas atraídos pelas Cataratas do Iguaçu, pela Usina de Itaipu e pelo turismo de compras na fronteira com Paraguai e Argentina. Esse fluxo constante de visitantes e a vocação internacional do destino criam uma economia aquecida e competitiva, que reflete no custo de vida para moradores locais.

O valor do aluguel, um dos quesitos levados em conta pelo relatório da Expatistan, tem sido um dos vilões para quem vive em Foz do Iguaçu.

A alta demanda de hospedagens temporárias via plataformas como o Airbnb, por exemplo, fez com que o valor de imóveis na região central da cidade alcançasse um patamar até mais alto do que em algumas capitais presentes na lista. O resultado é que moradores que não têm imóvel próprio, ou pagam mais caro para morar no centro ou são empurrados para bairros mais distantes.

Reflexos no dia a dia

Embora o custo seja alto, especialistas apontam que o impacto sobre as famílias varia conforme o padrão de consumo. Morar em áreas turísticas ou nobres tende a elevar despesas, enquanto bairros periféricos ainda oferecem alternativas mais acessíveis.

A presença no ranking internacional coloca o Paraná em evidência tanto como polo turístico e econômico quanto como território de desafios sociais, onde a valorização imobiliária e a pressão sobre serviços públicos podem afetar especialmente famílias de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Foz do Iguaçu tem atuado para enfrentar seus desafios sociais. Recentemente, a Prefeitura, através da Secretaria de Assistência Social, lançou um documento inédito sobre vulnerabilidade social, que orienta o planejamento estratégico da assistência social no município.

O material sistematiza o perfil socioeconômico da população mais vulnerável e embasa ações de acolhimento, prevenção e reintegração social, como:

  • Ampliação do atendimento a pessoas em situação de rua: os atendimentos do Serviço de Abordagem Social cresceram quase 70% no primeiro trimestre de 2025, com equipes reforçadas e reestruturação dos serviços;
  • Casas de passagem e acolhimento humanizado: a cidade mantém três unidades, oferecendo abrigo, alimentação, kits de higiene e suporte para reintegração social, com permanência de até 90 dias;
  • Planejamento com base em dados: o município prepara o primeiro censo da população em situação de rua do interior do Brasil, garantindo que políticas públicas sejam baseadas em informações reais e revisadas periodicamente.

Com essas medidas, a gestão municipal busca consolidar uma rede de proteção social mais eficiente, aliando dados técnicos a ações práticas para que a assistência chegue a quem mais precisa.

Com Informações: Expatistan, Portal Bem Paraná e Agência Municipal de Notícias - Foz do Iguaçu
Foto em destaque: Marcos Labanca/Divulgação AMN.