Um levantamento divulgado em julho pela plataforma colaborativa Expatistan colocou Foz do Iguaçu e Curitiba na lista das 140 cidades mais caras do mundo para viver. O ranking considera gastos com moradia, transporte, alimentação, vestuário, saúde e lazer, refletindo o impacto direto desses itens no orçamento das famílias.
De acordo com os dados, Curitiba ocupa a 116ª posição no ranking global, atrás apenas de São Paulo e Florianópolis entre as cidades brasileiras. Já Foz do Iguaçu, aparece na 133ª colocação, reforçando como o custo de vida na tríplice fronteira vem crescendo nos últimos anos.
CONFIRA O RANKING COM AS 140 CIDADES DA LISTA
As cidades mais caras do Brasil
Segundo a Expatistan, as dez cidades brasileiras com maior custo de vida são:
- São Paulo
- Florianópolis
- Curitiba
- Campinas
- Rio de Janeiro
- Belo Horizonte
- Rio Preto
- Salvador
- Foz do Iguaçu
- Bauru
A plataforma é utilizada mundialmente para comparar custos de vida em cidades e funciona de forma colaborativa, reunindo preços reais enviados por moradores locais. A ferramenta é muito usada por profissionais e famílias que planejam mudanças, oferecendo uma estimativa confiável de despesas cotidianas.
Por que Curitiba e Foz do Iguaçu são caras?
Consultado pelo portal de notícias Bem Paraná, o professor doutor Sérgio Czajkowski, especialista em comportamento do consumidor e cidades inteligentes, afirmou que o alto custo de vida em ambas as cidades está relacionado a infraestrutura consolidada, valorização imobiliária, turismo e fluxo internacional de pessoas e negócios.

Curitiba passou por uma transformação nas últimas décadas. Nos anos 1970, o motor da economia era a Cidade Industrial (CIC). Hoje, a capital se destaca pelos serviços, turismo de negócios, inovação e startups.
“A cidade, que antes tinha foco industrial, passou a migrar gradualmente para o setor de serviços e inovação, principalmente com políticas públicas recentes”, explica Czajkowski.
O movimento atrai profissionais qualificados com alto poder aquisitivo, que concentram demanda em regiões nobres, próximas a áreas verdes e bem estruturadas, pressionando o mercado imobiliário e os preços de serviços.

Já Foz do Iguaçu possui uma dinâmica singular. A cidade recebe diariamente turistas atraídos pelas Cataratas do Iguaçu, pela Usina de Itaipu e pelo turismo de compras na fronteira com Paraguai e Argentina. Esse fluxo constante de visitantes e a vocação internacional do destino criam uma economia aquecida e competitiva, que reflete no custo de vida para moradores locais.
O valor do aluguel, um dos quesitos levados em conta pelo relatório da Expatistan, tem sido um dos vilões para quem vive em Foz do Iguaçu.
A alta demanda de hospedagens temporárias via plataformas como o Airbnb, por exemplo, fez com que o valor de imóveis na região central da cidade alcançasse um patamar até mais alto do que em algumas capitais presentes na lista. O resultado é que moradores que não têm imóvel próprio, ou pagam mais caro para morar no centro ou são empurrados para bairros mais distantes.
Reflexos no dia a dia
Embora o custo seja alto, especialistas apontam que o impacto sobre as famílias varia conforme o padrão de consumo. Morar em áreas turísticas ou nobres tende a elevar despesas, enquanto bairros periféricos ainda oferecem alternativas mais acessíveis.
A presença no ranking internacional coloca o Paraná em evidência tanto como polo turístico e econômico quanto como território de desafios sociais, onde a valorização imobiliária e a pressão sobre serviços públicos podem afetar especialmente famílias de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Foz do Iguaçu tem atuado para enfrentar seus desafios sociais. Recentemente, a Prefeitura, através da Secretaria de Assistência Social, lançou um documento inédito sobre vulnerabilidade social, que orienta o planejamento estratégico da assistência social no município.
O material sistematiza o perfil socioeconômico da população mais vulnerável e embasa ações de acolhimento, prevenção e reintegração social, como:
- Ampliação do atendimento a pessoas em situação de rua: os atendimentos do Serviço de Abordagem Social cresceram quase 70% no primeiro trimestre de 2025, com equipes reforçadas e reestruturação dos serviços;
- Casas de passagem e acolhimento humanizado: a cidade mantém três unidades, oferecendo abrigo, alimentação, kits de higiene e suporte para reintegração social, com permanência de até 90 dias;
- Planejamento com base em dados: o município prepara o primeiro censo da população em situação de rua do interior do Brasil, garantindo que políticas públicas sejam baseadas em informações reais e revisadas periodicamente.
Com essas medidas, a gestão municipal busca consolidar uma rede de proteção social mais eficiente, aliando dados técnicos a ações práticas para que a assistência chegue a quem mais precisa.
Com Informações: Expatistan, Portal Bem Paraná e Agência Municipal de Notícias - Foz do Iguaçu
Foto em destaque: Marcos Labanca/Divulgação AMN.


