Festa de Iemanjá em Foz do Iguaçu celebrará 50 anos com cortejos, homenagens e show nacional em 2026

Com programação especial, evento fortalece o turismo religioso e resgata o legado da cultura afro-brasileira na fronteira trinacional.
Durante a agenda, a Comissão apresentou ao Parquetec o projeto previsto para 2026. Créditos: Itaipu Parquetec

A Festa de Iemanjá em Foz do Iguaçu, comemorada anualmente no dia 2 de fevereiro, celebrará, em 2026, cinquenta anos de história, fé e resistência cultural. A programação especial marcará o cinquentenário da celebração afro-brasileira realizada desde 1976 às margens do Rio Paraná, na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

A agenda prevê cortejos, exposições, rodas de conversa, shows com artistas locais, apresentação musical nacional e homenagens à yalorixá Vovó Benedicta, fundadora da festividade. A comemoração está sendo organizada por uma comissão formada por mais de 15 terreiros da cidade, com apoio da Prefeitura e articulações com instituições públicas e privadas.

Itaipu Parquetec apoia programação histórica

Nesta semana, representantes da comissão organizadora foram recebidos pelo Itaipu Parquetec, primeiro parceiro a garantir apoio ao evento. Ligado à Itaipu Binacional e aos Ministérios da Igualdade Racial e do Turismo, o Parquetec atua diretamente na valorização dos segmentos turísticos da região.

Diretor de Turismo, Yuri Benites, e a gerente de Turismo Sustentável, Silvana Gomes, acompanhados por integrantes da Comissão Organizadora da Festa de Iemanjá, em frente ao painel Ysy – A Mãe Água, no Itaipu Parquetec. Créditos: Itaipu Parquetec.

Segundo o diretor de Turismo do Parquetec, Yuri Benites, a festa fortalece a identidade plural de Foz do Iguaçu. “Temos mesquita, templo budista, terreiros, centros espíritas, igrejas e espaços ecumênicos. Essa diversidade precisa ser respeitada e celebrada”, afirmou.

Benites destacou ainda que apoiar a celebração é um ato simbólico contra o racismo e a intolerância religiosa. “O turismo religioso e cultural é uma oportunidade concreta de desenvolvimento sustentável, com geração de emprego, renda e valorização da identidade local.”

Festa afro-brasileira no calendário oficial

Para a sacerdotisa Mãe Ângela (Ilê Asé Oju Ogun Funilaiyo), filha de Iemanjá, a festa já transcende os limites religiosos. “É uma celebração democrática, que reúne pessoas de todas as crenças. E agora integra oficialmente o calendário cultural de Foz do Iguaçu.”

À esquerda, Mãe Ângela, e à direita, Mãe Amanda, integrantes da Comissão Organizadora da Festa de Iemanjá. Créditos: Itaipu Parquetec.
Mãe Ângela, à esquerda, e Mãe Amanda, à direita, integrantes da Comissão Organizadora da Festa de Iemanjá. Foto: Divulgação/Itaipu Parquetec.

Ela destaca o potencial do evento para criação de roteiros turísticos afro-religiosos, unindo espiritualidade, cultura e natureza, fortalecendo o Destino Iguaçu como polo nacional do turismo religioso.

O legado de Vovó Benedicta

A história da festa começa com Maria Benedicta de Souza Macedo, a Vovó Benedicta, yalorixá pioneira na fronteira, que enfrentou racismo e preconceito para organizar, em 1976, a primeira celebração de Iemanjá em Foz do Iguaçu. Foi também responsável pelo primeiro terreiro registrado no município.

Sua neta espiritual e sucessora na organização da festa, Mãe Amanda (Ilè Àsé Igá Odé), relembra a edição realizada após a morte da ancestral. “Ela subiu, mas deixou um caminho de resistência, força e união. A festa cresceu, mas manteve sua essência”, pontua.

Segundo Mãe Amanda, a procissão começou com um pequeno barco para 60 pessoas e hoje acontece no Kattamaram, com mais de 200 devotos a bordo, além de outra centena que acompanha da margem do rio. “Já recebemos participantes do Paraguai e da Argentina, consolidando o caráter trinacional da celebração.”

Iemanjá e o turismo religioso em crescimento

O turismo religioso está em alta no mundo, segundo dados da Editora Panrotas, com previsão de movimentar cerca de US$ 2 trilhões até 2032. O crescimento é impulsionado pela busca por espiritualidade, cultura e experiências com propósito.

Nesse contexto, a Festa de Iemanjá fortalece o posicionamento de Foz do Iguaçu como um destino que une natureza, diversidade cultural e liberdade religiosa. A celebração também contribui para o diálogo inter-religioso, promovendo o respeito e o combate ao racismo estrutural.

Sobre Iemanjá

Iemanjá é um orixá das águas, central nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. No sincretismo religioso, é associada à Nossa Senhora dos Navegantes. Representada como uma mulher vestida de azul e branco, é símbolo da conexão com a natureza, da proteção e da ancestralidade.A festa em sua homenagem é marcada por cantos, danças, oferendas e rituais coletivos, que convidam à reflexão sobre liberdade de culto, valorização da identidade afrodescendente e construção de uma sociedade mais justa e diversa.

Fotos: Divulgação/Itaipu Parquetec