Em Foz do Iguaçu, manifesto pede redução do orçamento da Câmara para 2012

Representantes de 21 entidades da sociedade civil organizada de Foz do Iguaçu assinaram um manifesto que foi protocolado na manhã desta sexta-feira (07), visando sensibilizar os vereadores a baixarem o teto do orçamento do Poder Legislativo dos 6% para 3% das correntes líquidas do orçamento municipal. De acordo com dados coletados pelo Observatório Social, atualmente a Câmara vem utilizando até 5,9% das receitas líquidas correntes do orçamento.

Antes de protocolar o documento, representantes das entidades concederam uma entrevista coletiva para apresentar o manifesto. A falta de tempo hábil para o encaminhamento e trâmite do projeto de iniciativa popular – que coletou 22 mil assinaturas – antes da discussão e aprovação do orçamento do Município para o próximo ano foi um dos fatores que motivou o manifesto.

Considerando o anseio da população iguaçuense demonstrado através de enquete realizada pela ACIFI e com a notória repercussão da mobilização que culminou na retirada de pauta do Projeto de Lei que previa o aumento do número de vereadores em nossa cidade, as entidades decidiram apelar para que os nobres edis respeitem a manifesta vontade da sociedade.

“Esse manifesto pede que seja utilizado apenas 3% das receitas correntes líquidas porque hoje o percentual repassado pela Prefeitura para a Câmara no corrente ano é de 5,95% do orçamento municipal, dentro do que pode ser utilizado pelos vereadores”, explicou Elizangela de Paula Kuhn, presidente da ACIFI.

Conforme a presidente da ACIFI, a proposta de teto de 3% para o Legislativo surgiu a partir de um estudo feito pelo Observatório Social de Foz do Iguaçu observando a realidade dos valores utilizados pelas Câmaras de vários municípios, não apenas no Paraná, com características semelhantes a Foz do Iguaçu e que até apresentam menor demanda em termos de necessidade de serviços e infraestrutura do Poder Executivo de Foz. “Esse estudo demonstrou ser possível ao Legislativo executar o trabalho que lhe compete com esse orçamento que hoje seria em torno de R$ 8 milhões”, observou.

“Inclusive, propomos no manifesto uma solução para chegar a esse número, que é a redução de quatro assessores para um e a capacitação do corpo técnico da Câmara”, acrescentou.

Para 2012, o repasse será na ordem de R$ 16.743.32,00 que representa 6% do orçamento permitido legalmente, ou seja, somente considerando as receitas líquidas. Respondendo ao questionamento da imprensa, Derseu de Paula, representante do Conselho Regional de Contabilidade, explicou que a utilização de 3,19% divulgada pela Câmara é feita sobre uma base de cálculo equivocada. “Porque a Câmara faz o cálculo dos 3,19% em cima do orçamento global do município. Só que a Constituição Federal estabelece um teto de 6%, mas não sobre o orçamento total do município, até porque existem verbas com destinação específica, como por exemplo, o Fundeb, que é para educação e não entra na contabilização para a Câmara”.

Projeto de iniciativa popular – O presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, Gilder Neres, explicou que o projeto de iniciativa popular, que além de manutenção do atual número de cadeiras no legislativo pede a redução do orçamento da Câmara encontra-se em processo de validação das assinaturas na Justiça Eleitoral. “Para que o trâmite do projeto de iniciativa popular seja reconhecido e validado pelo legislativo quando da sua apresentação, necessário se faz que exista um número suficiente de assinaturas de eleitores do município, e o respectivo titulo de eleitor apontado quando da apresentação do projeto. Para que isso seja comprido da forma total, apresentamos a listagem inteira coletada para a Justiça Eleitoral de Foz do Iguaçu”, explicou.

Conforme o presidente da OAB/Foz, os servidores estão conferindo, nome a nome, todas as listas, dando o respectivo título e “referendando essa listagem para que, então, seja apresentado o projeto de lei, cumprindo todos os requisitos intrínsecos e extrínsecos deste trâmite”, afirmou.

O representante do Iguassu Convention, Enio Eidt, afirmou que a classe empresarial gostaria de ver o setor público funcionando da mesma forma que o setor privado, com eficiência e otimização dos recursos.

Além da Acifi, OAB/Foz, Iguassu Convention Bureau e CRC, também estiveram presentes na coletiva Mauro Sebastiany, representando a ABIH e o COMTUR; Valentin Nadal, do Conselho Superior Deliberativo da ACIFI; Padre Guiliano Inzis, presidente do Observatório Social; Roni Temp, representando o Rotary Clube e Graciela Liston, membro do Conselho Regional de Administração.

Confira, na íntegra, o manifesto:
MANIFESTO DE ENTIDADES DA SOCIEDADE CIVIL ORGANIZADA DE FOZ DO IGUAÇU AOS SENHORES VEREADORES DA CÂMARA LEGISLATIVA DE FOZ DO IGUAÇU