DE NOVO!

 

VOLTEI! – Depois de um período em que lidei com uma inundação de pensamentos e sentires, volto a este cantinho da palavra escrita cultivado para você, amigo(a) leitor(a) que, aliás, estava cobrando minha presença. Confesso, eu também senti sua falta e, bem, aqui estou.

O ser humano é um animalzinho complexo, tão complexo que consegue complicar o que é fácil. Na minha breve ausência, muitos fatos de relevância cultural aconteceram em nossa Foz do Iguaçu. Cito alguns: a concretização da nossa primeira Conferência Municipal de Cultura, a apresentação da maravilhosa pianista Eudóxia de Barros e a montagem do Natal das Cataratas, na Praça do Mitre.

POUCOS FORAM – A Conferência grosso modo foi tranquila. Infelizmente não tivemos a presença de muitos iguaçuenses. Com certeza, teriam contribuído para o sucesso da mesma. Mas, quem esteve lá sabe que viveu um dia histórico para a cidade. Mesmo com algumas dificuldades, conseguimos pensar em uma política pública de cultura com propostas e estratégias. Certamente, num futuro próximo, isto modificará positivamente a realidade artístico-cultural de Foz. O que precisamos fazer agora é dar os próximos passos. Tudo o que lá discutimos e planejamos deve transitar coerente para a prática.

REVOLTEI – Quanto ao recital de Eudóxia de Barros, a caminho do local, sentia-me feliz e privilegiada pela oportunidade de vê-la pessoalmente. Já após a apresentação, saí triste e envergonhada. Não por ela e, menos ainda, por sua apresentação, ambas magníficas, mas pelo comportamento inaceitável de alguns dos presentes. A começar por fotógrafos e operadores de filmadoras. Não tinham o menor senso do respeito.

O barulho das máquinas atrapalharam e muito aos que estavam ali, para apreciar as melodias. Sim, porque certos compareceram por mil motivos, exceto ouvir a música sentida e executada por Eudóxia. Talvez estavam lá por status, para serem vistos ou algo assim, pois além do barulho citado, houve até os insuportáveis celulares disparando, as conversas inconvenientes e os indiscretos atrasos. Que pensarão alguns sobre um concerto? Quando se tem a oportunidade de ir, vai-se para ouvir a música e vivenciar as sensações profundas e elevadoras que ela nos proporciona, só isso. Não é preciso mais nada. Ah! Mas, temos muito que aprender, como tomar uma atitude civilizada que é tão fácil, o silêncio. Só que, para muitos, isto se tornou complexo. Já não há capacidade de escuta para ouvir-se a si mesmo e ao outro.

DESARMONIA – E falando em ouvir, no último domingo estive na Praça do Mitre. Junto com um amigo, que é músico, recepcionamos os cidadãos que foram até ali para prestigiar os eventos artísticos daquela noite do Natal das Cataratas. Quando levamos arte às ruas, muitas vezes a poesia do artista se funde com a poesia urbana, mas há momentos em que também ocorre o confronto. Era o final do campeonato de futebol e, obviamente, houve um time vencedor. Na praça, pois, também estavam os fanáticos: e eram muitos, extasiados e embriagados pela alegria e algumas substâncias… Um torcedor de time adversário foi espancado e ferido. Minutos mais tarde e a sirene da ambulância, chamada para resgatá-lo, fez dueto com o violino do meu amigo, porém, não houve harmonia. Calei por uns instantes as mensagens de Natal que estava entregando…

UM NOVO DIA – Nesses momentos penso: o que seria de nós sem a arte? Talvez saíssemos por aí, agredindo-nos gratuitamente, mas… Felizmente ela existe e, para alguns…, ainda existe o Natal.

 

 


 
 

 

 

 

*Claudia Ribeiro é  atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora.

 

 

 

 

 

 

 

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