O Conselho de Desenvolvimento da Região Trinacional do Iguassu (Codetri) manifestou apoio formal à proposta de transferência do posto aduaneiro de Puerto Iguazú. Em ofício encaminhado à ministra da Segurança Nacional da Argentina, Patricia Bullrich, o colegiado trinacional destacou que a medida contribuiria para a melhoria da logística, redução de filas e maior integração regional.
A proposta — pela primeira vez mencionada oficialmente por um integrante do governo federal argentino — surgiu durante agenda de Bullrich em Posadas, na província de Misiones. A ministra sugeriu a mudança do controle migratório da cabeceira da Ponte Internacional Tancredo Neves para uma área no interior de Puerto Iguazú, onde hoje funciona uma unidade da Gendarmería Argentina.
Integração e segurança regional
No documento assinado por Roni Temp, presidente do Codetri, e dirigentes dos conselhos de desenvolvimento de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Presidente Franco e Puerto Iguazú, o posicionamento é claro: a realocação da aduana é vista como estratégica para o desenvolvimento, segurança e qualidade de vida na região trinacional.
“Acreditamos que essa medida se alinha ao nosso compromisso conjunto de construir uma fronteira integrada, eficiente e segura”, diz trecho do ofício.
Roni Temp reforçou o impacto positivo da mudança:
“Essa medida iria alterar completamente a dinâmica da fronteira, só trazendo efeitos positivos para quem mora em nossas cidades fronteiriças, para turistas e operadores do comércio internacional. Isso sem afetar a segurança — pelo contrário, ela seria aperfeiçoada.”
Para entender o caso

No dia 31 de maio deste ano, a ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, surpreendeu ao anunciar a possibilidade de transferir o controle migratório da cabeceira da Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (Brasil) e Puerto Iguazú (Argentina), para uma área mais distante, no interior da cidade argentina.
Hoje, a fiscalização ocorre logo após cruzar a ponte, o que gera longas filas e congestionamentos diários — cenário que afeta o turismo, o comércio e a mobilidade local.
A nova proposta prevê realocar o posto de controle para uma área onde já funciona uma base da Gendarmería Argentina, permitindo circulação mais fluida entre as cidades fronteiriças. A ideia também atende a um pedido antigo de empresários e moradores da região, que defendem maior integração trinacional.
Segundo Bullrich, a medida visa equilibrar segurança e integração. Em sua fala, a ministra destacou que pretende “garantir a segurança do país, mas também pensar na integração das três cidades” — Foz do Iguaçu, Ciudad del Este e Puerto Iguazú.Ela chegou a mencionar a possibilidade de criar postos migratórios integrados com o Brasil, nos moldes do que já acontece na fronteira com o Uruguai e está sendo negociado com o Paraguai.
Impacto direto no turismo e comércio
Hoje, o posto aduaneiro de Puerto Iguazú é um dos principais gargalos de trânsito para quem cruza a Ponte Tancredo Neves. Filas de veículos e pedestres são frequentes, e o congestionamento afeta tanto o turismo quanto o transporte de cargas.
A mudança para o interior da cidade, além de facilitar o fluxo, integraria o controle migratório ao circuito comercial local — com impacto direto em restaurantes, free shops e estabelecimentos turísticos.
De acordo com levantamento da Receita Federal do Brasil, realizado em parceria com o Centro Universitário UDC, cerca de 11 mil veículos e 32 mil pessoas atravessam a ponte diariamente. Ao longo de um ano, esse fluxo chega a 4,1 milhões de veículos e 11,7 milhões de pessoas.
Apoio regional unificado
O ofício foi assinado pelos representantes dos quatro conselhos de desenvolvimento da fronteira:
- Roni Temp – presidente do Codetri
- Ivan Leguizamón – Codefran (Presidente Franco, Paraguai)
- Marcelo Brito – Codefoz (Foz do Iguaçu, Brasil)
- Natália Duarte – Codeleste (Ciudad del Este, Paraguai)
- Rodrigo Blanco – Codespi (Puerto Iguazú, Argentina)
O gesto político reforça a união trinacional em torno de um projeto que pode redefinir a mobilidade e a competitividade da região.
Com Informações: Assessoria Codetri
Foto: Divulgação/Assessoria Codetri


