Hoje nós vamos falar de um assunto muito polêmico. E não são os “mamilos”, do YouTube. Trata-se de uma denúncia que abalou o cenário político de Foz. Jair Santos, ex-assessor do vereador José Carlos Neves – o Zé Carlos, do PMN – foi ao Ministério Público e à imprensa para denunciar o vereador de uma série de irregularidades. Todo o imbróglio nos remete a um assunto recorrente: o salário dos assessores parlamentares. Não é de hoje que se fala que muitos vereadores usam o salário dos assessores para engordar o próprio ou saldar compromissos de campanha. Na denúncia apresentada, Jair também acusa o vereador de tal prática. A Câmara recebeu a denúncia e na sessão da última quinta (01/09/11) formou comissão para apurar o caso. Em 90 dias, deve sair o relatório, que pode submeter a cassação de mandato a votação no plenário da Câmara ou simplesmente determinar o arquivamento do processo.
TRIBUNAL DE EXCEÇÃO
Conversei com Edílio Dall’agnol, o presidente da Câmara, e gostei do que ouvi dele. Ele concorda que o surgimento da denúncia desgasta a imagem do Legislativo, mas que o melhor caminho foi a instauração da Comissão Processante. Ele também reconhece que muitos interesses estarão em jogo nesse complicado processo, mas acredita que, pelo menos, as coisas serão apuradas de maneira transparente.
Sou favorável a aplicação da Justiça, sempre. Mas, espero que o sentido da mesma não se confunda com vingança, no caso em tela. O processo que se inicia, para julgar Zé Carlos, não pode se transformar num Tribunal de Exceção, aonde os direitos democráticos e republicanos são prejudicados na exclusiva finalidade de se satisfazer a vontade de interesses alheios à justiça, mas travestidos dela.
Oposição incomoda, mas é através dela que a democracia se torna plena. Portanto, deve ser respeitada. A CP do Zé pode ser o início de um novo tempo no Legislativo de Foz, aonde eventuais práticas poderão ser revistas e combatidas. Se comprovado o erro, os agentes devem ser punidos. Só não podemos transformar o vereador em “bode expiatório”, e esquecer o assunto.
ESTRANHO
A forma como as denúncias desse tipo surgem são sempre muito estranhas. Jair Santos esteve com o vereador desde sua posse, em 2009. Os empréstimos em questão datam de agosto daquele ano. Então, presume-se que a prática é antiga e prolongada. Por que só agora, que Jair está trocando de partido, é que ele veio à tona para denunciar? Por que ficou caladinho durante todo esse tempo, aceitando ter seu salário fatiado e fazendo o jogo sujo?
Acho importante que as pessoas possam se arrepender de suas práticas sujas e que as denúncias aconteçam. A Justiça até inventou a “delação premiada”, que concede benefícios e atenuações a quem abandona “esquemas” e entrega os comparsas. Mas, por outro lado, temos de entender que, nesse caso, Jair Santos poderia ter estancado a prática há muito tempo atrás. Seu silêncio permitiu e contribuiu para que a sujeira se instalasse e se alastrasse. Além disso, ele pode ter levado vantagens no processo, o que o torna tão nocivo quanto o denunciado.
Se as denúncias ficarem provadas e forem devidamente punidas, Jair Santos não deve escapar de punição, junto com o vereador e outros agentes que hão de surgir no processo.
SINISTRO
Na sessão de quinta (01/09/11), Zé Carlos mostrava, para quem quisesse ver, um documento no mínimo curioso. Tratam-se de duas folhas manuscritas – em letra pouco legível – com uma assinatura no rodapé. O que tornam as folhas sinistras é o fato de a assinatura ter sido reconhecida em cartório, no ano passado, como sendo de Jair José Servo dos Santos. No documento – que eu não consegui compreender a grafia – o vereador alega que Jair Santos expressou uma artimanha para derrubá-lo, premiando seu suplente, Valdemar Azevedo (PMN). Pela artimanha, Santos seria “premiado” com duas assessorias de Azevedo.
Tudo isso torna a pendenga ainda mais nefasta e, caso seja comprovada a autenticidade das folhas, o denunciante deve, antes de acertar suas contas com a Lei, receber o Troféu Alfafa.
Cada coisa que a gente vê…
SUCESSÃO
A confusão envolvendo Zé Carlos não deve parar por aí. Caso ele seja mesmo cassado, o suplente direto seria Valdemar Azevedo, que fez 1428 votos no pleito de 2008. Ocorre que estão dizendo que Azevedo tem ficha de filiação assinada com outro partido, e que este vai torná-la pública, caso Zé Carlos seja mesmo afastado. Se isso acontecer, a vaga pode cair no colo de Jacy Freitas, do PV, que assinalou 1359 votos na eleição, e compunha a coligação formada por PMN/PRB/PV/PSL.
Se a armação descrita acima fizer sentido, o golpe de Jair Santos poderia ser ainda mais ardiloso. Até abril desse ano, pairavam dúvidas sobre quem seria o legítimo herdeiro da vaga de suplente – o partido ou a coligação. Na época da suposta tramoia, havia entendimentos divergentes de que a vaga era do partido e não da coligação. Dessa forma, eliminando Zé Carlos, Santos ficaria com a vaga se conseguisse armar também contra Azevedo. Se tudo desse certo, ele seria o vereador empossado com o menor número de votos: 622.
Coisa maluca, né? Bem, isso tudo está só no campo das conjecturas. Se as folhinhas do Zé se mostrarem consistentes, porém, tudo muda de figura…
QUEIROGA PARA PREFEITO
O deputado estadual Élio Rusch, presidente do partido Democratas no Paraná, anda cogitando a candidatura do vereador Luiz Queiroga para prefeito de Foz. A Rádio CBN foi a primeira a dar a notícia, através de comentário de Valdomiro Cantini. Na última quinta-feira (01/09/11), conversei com o deputado, que esteve em Foz e ele confirmou que o DEM pensa em ter candidatos nas principais cidades do estado, incluindo Foz do Iguaçu.
No Facebook, a notícia já rendeu muitos comentários. Empresários, representantes de classes e amigos do vereador celebraram a possibilidade e acham importante o surgimento de um nome novo, nesse período de incertezas eleitorais.
Depois das mudanças e dissidências pelas quais passou o DEM de Foz, ter um candidato a prefeito seria uma tremenda volta por cima. Ainda é cedo para apostar que a idéia vai vingar, mas, no mínimo, Queiroga sai na frente ao colocar seu nome à análise popular.
REVITALIZAÇÃO
Para Élio Rusch, o momento é favorável a revitalização do DEM. Ele não acredita que a dissidência que fez surgir o PSD tenha enfraquecido os Democratas. “Foi um desentendimento entre o Serra e o Kassab. Como no Brasil é muito fácil criar um partido, foram lá e criaram o PSD”, disse o legislador. Rusch se diz contrário a fundação de tantos partidos e é favorável à cláusula de barreira, segundo a qual as legendas que não conseguem determinado número de votos tem seu registro suspenso no TSE ou TRE’s.
No caso de Foz, Élio Rusch vê com bons olhos o desempenho de seus vereadores – Luiz Queiroga e Edson Narizão – e o surgimento de novos nomes para a próxima campanha, inclusive no segmento jovem e na ala feminina.
ACIFI
Consegui, finalmente, ter uma longa conversa com a presidente da Acifi, Elizângela de Paula Kuhn. Conversamos sobre a postura da entidade no caso da campanha contra o aumento do número de vereadores e das próximas ações que vêm por aí. Coincidentemente, encontrei Danilo Vendrúsculo, no mesmo dia, e pudemos falar sobre outras ações da entidade no ramo político. Tudo isso fica para a próxima coluna.
PONTE DA AMIZADE
Também vai ficar para a próxima a discussão sobre os números apontados na pesquisa coordenada pela faculdade UDC, realizada na Ponte Internacional da Amizade. Reveladores, os números poderão contribuir muito para o município, em campos diversos do turismo. Desde que, lógico, sejam bem administrados…
Até mais!
Deixa Deus comandar o teu time no jogo da vida e seja um vencedor, sempre…
Neste espaço Washington Sena conta um pouco sobre os bastidores da política e do esporte municipal e estadual. Esta coluna mantém um canal direto com o colunista Washington Sena. É o clickfoz@wsena.com.br.



