"Brasil teria índices elevados de Felicidade Interna Bruta", diz Primeiro Ministro do Butão

Imagem: Itaipu Binacional
Segundo Lyongpo Jigme Thinley, conferência será oportunidade para trocar experiências com o Brasil

À primeira vista, o que mais chama a atenção é a roupa típica do seu país e exótica aos olhos ocidentais. Mas, com bom humor, fala mansa e ar de sábio oriental, o primeiro-ministro do Butão, Lyongpo Jigme Thinley, rapidamente desviou o foco para o seu discurso, moldado ao estilo dos gurus que pregam um novo modo de vida, durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira (19), no Rafain Palace Hotel. O líder butanês veio a Foz do Iguaçu para participar da 5ª Conferência Internacional sobre Felicidade Interna Bruta (FIB), evento que começa nesta sexta-feira (20), logo após o encerramento do 6º Encontro Cultivando Água Boa (6º CAB). A conferência segue até segunda-feira (23).

“Estou aqui para mostrar a experiência prática da adoção da FIB no Butão e também para aprender com o trabalho socioambiental e o respeito à população local promovidos pela Itaipu nessa região do Brasil”, justificou Thinley. Acompanharam a coletiva os assessores do primeiro-ministro, o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, o diretor de Coordenação e Meio Ambiente, Nelton Friedrich, e a coordenadora do Instituto Visão Futuro, a psicóloga norte-americana Susan Andrews – a “embaixadora” da FIB no Brasil.

Não por acaso, a presença do líder butanês é uma das principais atrações da conferência. A ideia de adotar a felicidade no lugar da dimensão da riqueza material como parâmetro de desenvolvimento é mais que uma mera filosofia no seu país. Pequenino entre dois gigantes (Índia e China) e com um dos menores Produtos Internos Brutos (PIBs) do mundo, o Butão inverteu a lógica do dinheiro como sinônimo de satisfação para se tornar o primeiro país a adotar oficialmente a FIB em sua constituição.

Desde novembro de 2008 ela passou a ser adotada na prática, com vários indicadores cuidadosamente elaborados para medir o que, de fato, interessa para os butaneses: o quanto sua população é feliz. Pesquisas preliminares, segundo Thinley, apontam para índices da FIB muito mais positivos do que poderia induzir qualquer análise baseada somente no PIB.

O primeiro-ministro rapidamente falou sobre sua expectativa em relação à conferência, o processo de implantação da FIB no Butão e os conceitos embutidos na metodologia. “Precisamos encontrar uma maneira de equilibrar nossas necessidades materiais com as necessidades espirituais e psicológicas, e o problema é que o tipo de desenvolvimento buscado no mundo é orientado pelo PIB, algo puramente econômico, material”, resumiu Thinley. “A maneira pela qual buscamos felicidade no Butão encontra suporte em medidas de administração pública que tentam promover esse equilíbrio”, explicou. “A despeito de toda a prosperidade econômica que parte da humanidade até consegue desfrutar, muitos se tornam emocional e espiritualmente pobres, e não é isso o que queremos”, disse.

Aos poucos, outros países também se interessam pela FIB, que, segundo Thinley, pode ser aplicada em qualquer lugar. “Certamente o Brasil teria ótimos índices, um dos mais altos”, disse o primeiro-ministro quando pedido para dar um palpite sobre a possível classificação brasileira na FIB. E os passos iniciais para que sua hipótese possa ser comprovada na prática são dados por Susan. “Inspirados pelo Butão, queremos traduzir a FIB para a realidade brasileira”, ressaltou a piscóloga. “Desde setembro deste ano desenvolvemos três projetos-pilotos, um em Campinas (SP), outro em Itapetininga (SP) e um na versão empresarial, na Natura Cosméticos”, revelou Susan. “Implantamos um questionário com 100 perguntas, divididas em nove dimensões, e os resultados por enquanto estão sendo muito bons”, afirmou.

O termo FIB foi criado em 1972 pelo jovem rei butanês Jigme Wangchuck. Segundo Nelton Friedrich, os indicadores da metodologia estão em fina sintonia com as ações do Programa Cultivando Água Boa, o que motivou o apoio da Itaipu para a realização da conferência logo após o 6º CAB.