Todos os dias quando acordo e abro os olhos fico feliz por estar ainda com vida, pois isso quer dizer, na minha concepção, que ainda tenho coisas para fazer, mas no início da semana passada tive uma experiência que me fez ter a feliz certeza que estou viva e como é bom estar viva para sentir determinadas emoções.
A experiência refere-se a um ensaio/laboratório de uma peça que estou prazerosamente participando com colegas e amigos aqui mesmo em Foz do Iguaçu. Para mim o processo de descoberta e criação de um personagem sempre foi muito cativante, mas quando há desafios, claro que o prazer é maior. Foram exercícios que provocaram – me uma sensação indescritível de liberdade, superação e principalmente transformação… um determinado amadurecimento enquanto ser humano e atriz (minha função na peça).
Cada vez que bebo desse néctar que a arte nos dá fico extasiada, imaginando e desejando que todas as pessoas pudessem se sentir transformadas também. A arte é tão maravilhosa que provoca tal transformação seja fazendo-a ou prestigiando-a, claro que em proporções e reações diferentes, pois cada ação dessas tem a sua alquimia que se mistura com nossa cultura pessoal. Talvez haja pessoas que sentem as mesmas emoções realizando e vivenciando outras atividades, como entrar em contato com elementos da natureza e sentir-se parte dela, ajudar alguém conquistar algo, enfim, não importa. O que vale é a real sensação de estar vivo e sendo modificado para poder assim criar, modificar e transformar o seu redor. Viva a arte!

*Claudia Ribeiro é atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora.
A opinião emitida nesta coluna não representa necessariamente o posicionamento deste veículo de comunicação



