
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assumiu na última quinta-feira (11) o posto de conselheiro da Itaipu Binacional. Até então, o chanceler era um dos raros casos no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ministro que não engordava seus vencimentos com jetons. Participava do conselho da Fundação Dom Cabral, mas sem remuneração. Agora, a cada reunião que vier a participar em Foz do Iguaçu, geralmente uma por mês, Amorim deverá receber um contracheque (hollerith) de mais de R$ 12 mil.
O jetom será somado ao salário de um diplomata com 45 anos de carreira, que conduziu as importantes missões do Brasil nas Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio e que comanda pela segunda vez o Itamaraty. Fixada em 2007 pelo Congresso Nacional, a remuneração básica de Amorim é de R$ 10.748,43, excluídas as diárias de viagens internacionais que, de acordo com os seus hábitos espartanos, raramente acabam transformadas em despesas.
Filiado ao PT desde setembro passado, o chanceler passou a sofrer a dedução de um (duplo) dízimo de 20% em seu salário básico, conforme as regras do partido. O Sistema de Arre ca dação de Contribuição Estatu tária (SAF), exclusivo do PT, captura essa contribuição automaticamente de todas as autoridades e funcionários públicos filiados ao partido. Mas, para sorte do chanceler, não alcançará o jetom nem as diárias.
Por decreto presidencial, editado no Diário Oficial de sexta-feira, Amorim ocupou a vaga do Conselho de Administração de Itaipu deixada pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-secretário-geral das Relações Exteriores e atual ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). Ao Itamaraty cabe um posto no conselho, que passou de Ênio Cordeiro, atual embaixador em Buenos Aires, a seu sucessor na Subsecretaria de Assuntos de América do Sul, Antônio Simões.
Itamaraty – O Diário Oficial trouxe também a transferência de Lineu Pupo de Paula, ministro na carreira diplomática que atua na Missão do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), para o comando do consulado-geral do Brasil em Caracas, na Venezuela. Apesar do local, a nomeação de um ministro para um posto regularmente ocupado por um embaixador indica que o diplomata foi premiado por serviços prestados.
Pupo de Paula foi incumbido por Amorim de tomar as rédeas da embaixada do Brasil em Honduras durante boa parte do período em que o prédio, cercado por tropas do Exército e da polícia, serviu de abrigo ao então presidente deposto Manuel Zelaya. Assim como Zelaya e seu séquito, o diplomata ficou “preso” por semanas na embaixada.
Mudanças – Nos próximos meses, o Diário Oficial trará novas mudanças na composição do Itamaraty nesta etapa final do governo Lula. Uma das principais será a indicação do embaixador Roberto Jaguaribe, atual subsecretário de Política e um dos maiores entusiastas da Cooperação Sul-Sul no Itamaraty, para um posto no chamado primeiro mundo. Ja guaribe deverá assumir a Em baixada do Brasil em Londres, no lugar de Carlos Augusto Santos Neves.
O embaixador Frederico Araújo, que enfrentou toda a crise Brasil-Bolívia à frente da representação brasileira em La Paz, seguirá para Santiago, no Chile. Assumirá o posto do embaixador Mário Vilalva, um especialista em promoção comercial que assumirá a Embaixada do Brasil em Lisboa. Desterrado no Ministério da Fazenda, no qual conduziu a Secretaria de Assuntos Interna cionais, Marcos Galvão será indicado para a embaixada brasileira em Tóquio, no Japão.


