A preservação de nossa memória

 

Hoje quero falar sobre a preservação da história da cidade de Foz do Iguaçu. Na verdade quero questionar a inexistência de um museu municipal nesta cidade. Creio que outras pessoas, assim como eu, já devem ter sentido muita curiosidade quanto à história desse lugar que certamente não se resume somente à formação geológica das Cataratas do Iguaçu e à construção da Itaipu Binacional. Digamos, de passagem, que os dois patrimônios mencionados, inclusive, já possuem seus próprios acervos históricos e dispõem de um local para a sua preservação bem como o estudo dos mesmos, seja para a pesquisa ou a simples visitação por parte da comunidade e turistas que por aqui passam constantemente.

Mas ainda não possuímos um local público que sirva de referência para encontrarmos a história de nosso povo, nossos artistas, nossa arte, nossos objetos, nossos documentos, enfim, de nosso patrimônio cultural material.

Imagino que os educadores junto com seus alunos, principalmente os do ensino fundamental, devem passar por sérias dificuldades ao estudar a história de Foz do Iguaçu, não por falta de material, pois o mesmo existe certamente, mas por não encontrá-lo num local adequado às visitas, pesquisas e estudos. Os elementos visíveis fundamentais que documentam a história de um povo e seu lugar, aqui em Foz do Iguaçu, encontram-se ainda espalhados e não sabemos exatamente onde.

Infelizmente, ainda há quem acredite que o preservar é sinônimo de atraso e que isso se opõe ao progresso. Desculpem, mas não concordo com isso. Creio que conservar as raízes do passado, explica a identidade do presente e evidencia as bases de toda uma sociedade, ou seja, isto nos proporciona uma visão real e concreta do passado, facilitando assim a sua compreensão…

Sabemos que nos museus é possível aprender mais facilmente, porque seus elementos lá estão para serem vistos e revistos no momento em que houver interesse ou necessidade.

É muito difícil, principalmente para os mais jovens, respeitar, admirar e orgulhar-se de algo que não se conhece. Por isso é importante não privar as novas gerações de conhecerem a história do seu lugar e sua gente.

 


 
 

 

 

 

*Claudia Ribeiro é  atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora.