Vendo uma entrevista feita pela RPCTV dias antes do último aumento da passagem, vemos o Diretor do FozTrans, Edson Stumpf, tentando acalmar a população ao dizer que, ainda em 2011, as empresas que operam o Transporte Coletivo de Foz fariam uma total “Modernização do Terminal de Transporte Urbano” como contrapartida à elevação da tarifa. Além de diversas melhorias. Hoje, 2012, a única “melhoria” que vemos no terminal foi feita pelo próprio poder público, que é uma alça de acesso, para ônibus.
O mesmo discurso foi feito pelo próprio diretor do FozTrans na Audiência Pública, dias antes, em que anunciou o provável aumento, concretizado mais tarde.
O que nós, cidadãos, esperamos, quando vemos uma figura pública, representante dos interesses públicos, falar sobre melhorias na cidade é que isso – as melhorias – aconteça e até pagamos para ver. Pagamos impostos, taxas e tarifas e o resultado, na maioria das vezes, é o mesmo: frustração.
O Transporte de Foz continua ruim. Não houve melhoria alguma no TTU e nem na qualidade dos serviços, como podemos ver nas fotos abaixo, tiradas nas últimas semanas:
Nesta foto, tirada há poucos dias e bastante compartilhada via Facebook depois que postamos, vemos uma usuária do Terminal sentada no encosto do banco, pois o mesmo não possuía mais o assento.

Nesta outra, tirada também no Terminal, a comunicação visual é colada com papel e fita adesiva, enquanto em diversas cidades do Brasil, principalmente as turísticas, são feitas placas e uma comunicação visual atraente, prática e bonita.

Nosso Terminal está jogado à sorte, não há faixas de segurança adequadas no entorno, as pessoas saem do local pelas vias de ônibus (isso é grave e perigoso!) e ainda há muito lixo em todo o espaço.
E os problemas, como sempre, extrapolam as grades do Terminal Urbano. Os usuários, além de conviverem com ônibus lotados, sem ar-condicionado e linhas demoradas, sentem a falta de respeito com eles e com os profissionais.
Na foto abaixo, tirada em um ônibus no qual embarquei há alguns dias, o veículo estava lotado e mesmo assim não tinha cobrador. O motorista, sob pressão dos usuários e do calor imenso que fazia naquele dia, era obrigado a dirigir e cobrar a passagem, contando o troco enquanto o ônibus andava. Além disso, como precisava se virar diversas vezes para pegar dinheiro e conferir se a catraca estava liberada, abriu mão de usar o cinto de segurança que, visivelmente, atrapalhava muito a sua vida, até porque o cinto não foi projetado para motorista/cobrador.

Se fôssemos apresentar aqui todos os problemas do Transporte de Foz, ficaríamos o dia todo escrevendo e você, caro leitor, o dia todo lendo e se indignando. Limito-me, portanto, a parar por aqui e deixar que você, no seu dia-a-dia, veja com seus próprios olhos e tire suas próprias conclusões.
Se quiser ver a entrevista citada no início da coluna: http://g1.globo.com/videos/parana/t/paranatv-1-edicao/v/passagem-do-transporte-coletivo-fica-mais-caro-em-foz/1676592/
O que fazer?
1 – Em primeiro lugar, rever todo esse modelo de transporte.
2 – Depois, alterar a Lei Orgânica do Município, como vem sendo feito em diversas cidades do país, deixando clara a preferência do transporte de tração humana (bicicleta, por exemplo) ou elétrica e do transporte público em detrimento do automóvel individual movido a combustão. Estes – os carros – representam pouco menos de 50% da massa transportada e respondem por mais de 75% da poluição urbana. Não sou contrário ao direito de se ter um veículo particular, pelo contrário, mas é preciso uma lógica de tráfego que beneficie, também, quem opta por meios alternativos ou coletivos de locomoção.
3 – Implantação de ciclovias (bem feitas, por favor).
4 – Proibição da circulação de veículos em determinados pontos da cidade, seja ela provisória ou permanente.
5 – Definir horários para a circulação de caminhões na Avenida das Cataratas e Avenida Paraná.
Não é tão difícil fazer uma cidade boa para se viver. Basta ouvir as pessoas, suas vontades e suas ideias. Se os gestores públicos o fizessem, certamente teríamos um lugar mais agradável para se viver.

* *Luiz Henrique Dias da Silva é escritor, estudante de Administração Pública e comunista (convicto). Temos recebido diversas reclamações sobre ele – o Luiz – estar por aí, o dia todo, tirando foto das coisas erradas da cidade e postando no Facebook. Gostaríamos de dizer que já tentamos inibir isso, tomando a máquina fotográfica dele e o amarrando em um sótão. Mas, pelo visto, ele fugiu e continua à solta. Leia mais em luizhenriquedias.com.br ou siga ele no Twitter: @LuizHDias
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