A cidade, os carros, as bicicletas e as pessoas


A cada dia, em Foz do Iguaçu, no Paraná, no Brasil, cresce o número de carros, veículos particulares, nas ruas. Apesar de acreditar que esses veículos não são a melhor alternativa de transporte em cidades e de, também, julgar o modelo de crescimento da frota incoerente com questões como sustentabilidade e qualidade de vida, não julgo o indivíduo que opta pelo carro. E não faço isso – julgar – por dois motivos: 1 – o brasileiro, tendo em vista a boa fase da economia do país, tem o direito de consumir e; 2 – os transportes de massa em nosso país, em especial em Foz do Iguaçu, é muito ruim, caro e ineficiente. E isso espanta o usuário.

O que julgo errado é a preferência pelos carros. O modelo latino-americano, baseado no modelo norte-americano, chamado por Eduardo Galeano de “culto ao automóvel”, faz com que as pessoas – e os governantes -, em sua maioria, priorizem os veículos motorizados no planejamento de fluxos. Na foto abaixo, por exemplo, tirada aqui na cidade, observamos que a sinalização – que garante certa segurança ao pedestre – é ruim.

Além disso, o motorista que passa por ali, pela frente do SUS ou pela região da terceira pista da JK, para citar alguns exemplos, encontra um dilema: muitos querem parar para o pedestre, mas correm o risco de ter a traseira de seu carro destruída por quem vem atrás. Para o pedestre, outro dilema: se um para e eu passo, pode ser que outro não pare e me atropele. Assim, se não há uma devida organização ou estabelecimento de prioridades, a vida em sociedade – em termos de fluxos – fica bastante prejudicada.

Agora, como fazer para organizar a convivência entre carros, veículos pesados, ônibus, motos, bicicletas, pedestres e portadores de necessidades especiais em nossa cidade?

Faço algumas propostas:

1 – ciclovias

Não basta abrir ciclofaixas pelas principais avenidas. É preciso uma lógica para o uso. Talvez, optar por conjuntos de ciclovias conectadas, integradas, que serviriam tanto para o turismo quanto para o deslocamento do cidadão. A Avenida Paraná poderia ser o piloto do processo, tal como a Tancredo Neves – para onde já há um projeto. Além disso, aliada a uma campanha de respeito ao ciclista, um projeto de sinalização específico para garantir a segurança dos que, por necessidade ou opção, escolhem pedalar de casa ao trabalho ou a passeio.

2 – restrição de veículos pesados

Ajudaria bastante se o tráfego pesado fosse restringido em determinados horários, principalmente no eixo Avenida Paraná – Avenida das Cataratas. Essa medida já é adotada em diversas cidades e alivia o tráfego em horários de pico. Outra alternativa seria a conclusão do Contorno, que levaria os caminhões da BR 277 à Aduana Brasil-Argentina, sem passar pelo Centro.

3 – semáforos de pedestres

Nestes locais onde há faixas “perigosas”, como próximo ao Terminal Urbano ou em frente ao SUS, para garantir a segurança de pedestres e motoristas e, assim, evitar fatalidades ou tragédias, seria necessária a instalação de sinaleiros. Só assim haveria garantia da parada dos carros e do direito de atravessar a rua ou avenida.

4 – mudança na lógica de planejamento

Isto exigiria uma mudança de modelo. Uma alteração na Lei Orgânica do Município orientaria a Administração Pública a priorizar, em suas intervenções urbanas, o não-uso do automóvel. Isso não significa proibir ou atrapalhar a vida dos carros, mas sim melhorar a vida do pedestre.

Há inúmeras outras formas de se organizar – e humanizar – a cidade e o fluxo de pessoas. Devemos usar nossa criatividade para saber conciliar desenvolvimento e qualidade de vida, conforto e políticas de saúde pública, direito de escolha e respeito ao próximo. Só assim construiremos uma cidade melhor para os visitantes, os novos moradores e, é claro, para nós, cidadãos de Foz.

Boa semana a todos!

 


 

* Luiz Henrique Dias é encenador da Cia Experiencial Teatro do Excluído. Ele escreve todas as quartas aqui no Click. Leia mais em luizhenriquedias.com.br e siga ele no Twitter: @LuizHDias.
 

 

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