Os anos de chumbo no Brasil já passaram, mas as cicatrizes deixadas pelos traumas, repressão, censura e violência ainda muito devem durar. Com o objetivo de trazer a discussão sobre ditadura, direitos humanos e mobilização social, o Laboratório de Cultura Material, Patrimônio e Imagem Latino-Americana, junto ao Grupo de Estudos Margens da Fronteira, ambos da UNILA, organizaram a rodada de conversa “Memórias de um guerrilheiro” com o jornalista Aluízio Palmar, militante e fundador do MR-8 e envolvido na luta armada contra a ditadura no Oeste do Paraná. A atividade, primeira de caráter público do grupo de estudos, será realizada nesta quinta-feira, às 18h, na Sala Negra do UNILA Centro. É gratuita e aberta a toda comunidade. Antes da palestra com Aluizio, haverá exibição de vídeos e intervenções sobre memória e situações de violência na fronteira.
Para a professora de Antropologia Danielle de Araújo, que é coordenadora do grupo, a trajetória de Palmar merece atenção da comunidade para que se compreenda como se deu o período de ditadura na região de Foz do Iguaçu, região Oeste do Paraná. Palmar já foi ouvido pelos membros do grupo e teve suas declarações registradas em vídeo. “Agora faremos esta atividade pública para apresentar esta trajetória de luta e mobilização à comunidade acadêmica e da cidade. Nosso objetivo é trazer diversos personagens históricos para dividir suas experiências e trajetórias na região com toda comunidade”, explica Danielle.
Sobre o grupo
A ideia do grupo é caminhar, junto com os alunos interessados, por entre as ruas e a história de Foz do Iguaçu, lugar marcado pela diversidade cultural e, ao mesmo tempo, segregação e preconceito. “Precisamos conhecer Foz a partir do diálogo com pessoas que trazem o lugar como uma marca na sua vida. A cidade como um espaço vivo e em constante processo de ressignificação, onde as ruas e as rugas criam sentidos particulares, isto é, o espaço urbano como algo vivo e latente na memória daqueles que o vivenciaram”, coloca Danielle.
Aluízio Palmar
Aluízio Palmar nasceu em maio de 1943, no Estado do Rio de Janeiro. Em sua juventude estudou Ciências Sociais na Universidade Federal Fluminense e, devido à sua militância revolucionária, não terminou o curso. Foi fundador do MR 8 (o primeiro, de Niterói). Preso em 1969, foi trocado junto com outros revolucionários pelo embaixador da Suíça no Brasil. Após sua libertação e banimento do País, passou a militar na Vanguarda Popular Revolucionária. Com a anistia política de 1979, voltou ao Brasil e deu início à carreira jornalística em Foz do Iguaçu.


