A Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) abriu inscrições para um estudo clínico inédito sobre o uso da cannabis medicinal no tratamento da fibromialgia. A pesquisa será realizada em parceria com a Santa Cannabis, entidade de referência nacional no fornecimento de derivados da planta para fins terapêuticos.
O estudo, batizado de “Fridinha”, será conduzido nas cidades de Foz do Iguaçu e Cascavel, no Paraná, e vai acompanhar 36 mulheres voluntárias com diagnóstico confirmado da doença ao longo de seis meses. A previsão é de que o projeto tenha início ainda em 2025.
Objetivos da pesquisa

Segundo o coordenador do estudo, professor Ney Nascimento, a proposta é avaliar como a combinação equilibrada de CBD (canabidiol) e THC (tetrahidrocanabinol) pode contribuir para o controle da dor crônica e a melhora da qualidade de vida das pacientes.
Além da dor, o protocolo investigará impactos em depressão, qualidade do sono e bem-estar geral. Para isso, serão aplicados questionários clínicos, consultas mensais e exames laboratoriais antes e depois do período de intervenção.
“Queremos compreender os efeitos reais do óleo full spectrum na modulação dos sintomas e, principalmente, verificar sua eficácia e segurança”, destacou Nascimento.
A fibromialgia e seus desafios
A fibromialgia é considerada uma doença invisível, mas com forte impacto social. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 7% da população mundial e é a terceira doença reumatológica mais comum.
O perfil mais frequente é de mulheres entre 50 e 60 anos, que sofrem com dores generalizadas e fadiga persistente. O quadro leva a afastamentos precoces do trabalho e altos custos com tratamentos.
Segundo a estudante de Medicina e coautora do projeto, Maria Eduarda Carraro, a gravidade do problema exige respostas urgentes:
“O índice de suicídio entre pacientes é até dez vezes maior que na população saudável. Além disso, o custo com consultas, exames e medicamentos pode ser 300% maior. Pesquisas como a da UNILA são fundamentais para garantir dignidade e qualidade de vida a essas mulheres.”
O papel da cannabis medicinal e da Santa Cannabis
Nos últimos anos, a cannabis medicinal tem se consolidado como alternativa promissora no manejo de dores crônicas e distúrbios do sono.
Neste estudo, o óleo será fornecido gratuitamente pela Santa Cannabis, que cultiva e produz derivados da planta para uso legal e terapêutico no Brasil.
“Acreditamos na ciência como instrumento de transformação social. Apoiar este projeto é um compromisso ético com milhares de pacientes que dependem da cannabis para viver com dignidade”, afirmou Pedro Sabaciauskis, presidente da associação.
Como participar
As inscrições já estão abertas. Podem se candidatar mulheres entre 18 e 60 anos, com diagnóstico confirmado de fibromialgia e disponibilidade para comparecer uma vez por mês às consultas em Foz do Iguaçu ou Cascavel, durante seis meses.
As voluntárias não terão custos com consultas, exames ou medicamentos. Interessadas podem se inscrever por meio do link: https://tinyurl.com/PesqCannabisFibro.
O estudo “Fridinha” simboliza um avanço na integração entre ciência, saúde pública e inovação terapêutica. Mais do que investigar a eficácia da cannabis medicinal, o projeto coloca Foz do Iguaçu e Cascavel no mapa de pesquisas de relevância nacional, oferecendo esperança a milhares de pacientes que convivem com a fibromialgia.
Com Informações: Santa Cannabis


