Na edição do programa “Mais Você” exibida em 17 de julho de 2025, a apresentadora Ana Maria Braga fez uma declaração que gerou grande repercussão entre os profissionais do turismo. Ao comentar o uso da inteligência artificial no planejamento de viagens, ela sugeriu que, hoje em dia, “não é mais necessário contratar um guia de turismo, já que a IA pode fazer esse papel com eficiência”.
A fala, aparentemente ingênua, caiu como uma bomba entre guias profissionais, sindicatos e associações ligadas ao setor. E não era para menos. Reduzir uma profissão regulamentada, que exige formação técnica, domínio de idiomas, conhecimento histórico-cultural e empatia, a um aplicativo de celular é ignorar a complexidade do trabalho humano no turismo.
Guias de turismo são muito mais do que fontes de informação. Eles são mediadores culturais, anfitriões locais, narradores de memórias, e muitas vezes, os primeiros rostos acolhedores que um visitante encontra ao chegar a um novo destino. Eles sabem adaptar o discurso conforme o público, reagir a imprevistos com inteligência emocional e compartilhar vivências que só quem vive no território conhece.
Quando a inteligência artificial leva ao erro
Se a fala da apresentadora já causou desconforto, um caso recente, que ganhou repercursão mundial, mostrou como confiar exclusivamente na IA pode sair caro — e frustrante.
Um casal de idosos da Malásia, viajou mais de 400 quilômetros até o que acreditava ser uma impressionante atração turística, recomendada por um vídeo que estava viralizado nas redes sociais. Ao chegar ao local, descobriu que a atração simplesmente não existia. O vídeo — envolvente, realistas e repleto de imagens cinematográficas — havia sido gerado por inteligência artificial. Não havia nenhum tipo de aviso ou disclaimer sobre a natureza fictícia da “atração”.
VEJA O VÍDEO QUE ATRAIU A ATENÇÃO DOS IDOSOS
Na gravação gerada por inteligência artificial que enganou o casal, são exibidas imagens impressionantemente realistas de um suposto passeio panorâmico de teleférico em uma cidade da Malásia. Com quase três minutos de duração, o vídeo simula uma reportagem completa: há uma apresentadora descrevendo a experiência, passageiros sorridentes curtindo a vista e até entrevistas durante o trajeto — tudo meticulosamente fabricado por IA.

Convencidos pela autenticidade das cenas, o casal percorreu cerca de 370 quilômetros, saindo de Kuala Lumpur até a pequena cidade de Pengkalan Hulu, em busca do tal passeio turístico. Chegando ao local, no entanto, descobriram que nada daquilo existia. Inicialmente, recusaram-se a acreditar que o vídeo fosse falso — afinal, havia uma repórter em cena e nenhuma legenda indicava se tratar de uma montagem.
Revoltada, a idosa chegou a dizer que pretendia processar a rede de TV e a jornalista responsável por apresentar o suposto teleférico. Foi então que uma funcionária do hotel local revelou um detalhe ainda mais chocante: a rede de TV e a repórter também eram fruto de inteligência artificial. Tudo — cenário, personagens, entrevistas e falas — havia sido inteiramente criado por algoritmos.
Essa situação, além de constrangedora, serve como alerta: o uso indiscriminado da IA na produção de conteúdos turísticos pode criar realidades falsas, enganar viajantes desavisados e gerar frustração, prejuízos e até riscos à segurança. Diferentemente de plataformas comprometidas com a curadoria e a responsabilidade, algoritmos de IA não possuem senso crítico, nem ética. Eles entregam o que “parece bonito” — mesmo que seja mentira.
Em Foz do Iguaçu, um exemplo de responsabilidade no turismo

O debate sobre a opinião da apresentadora Ana Maria Braga, afirmando que “estaria ultrapassada a necessidade da contratação de um guia de turismo”, também chegou a Foz do Iguaçu através das redes sociais do Guia de Turismo Marcelo da Silva, conhecido pelos locais como “Guia Marcelinho”. Em uma postagem feita em seu perfil do Instagram, o guia questiona a afirmação, considerada infeliz, e reforça a necessidade e a importância do guia.
A cidade oferece ao visitante a possibilidade de conhecer em um único destino, atrativos turísticos de 3 países, contudo, também reúne três culturas, três legislações distintas, quatro moedas correntes e pode colocar em risco a experiência dos viajantes desavisados.
Para escapar de “perrengues” e potencializar a experiência positiva em um destino único como Foz do Iguaçu, é fundamental que o viajante valorize iniciativas que unem tecnologia com vivência local e responsabilidade informativa.
A Loumar Turismo, com sede em Foz do Iguaçu, é considerada a maior produtora de conteúdo sobre a região trinacional (Brasil, Paraguai e Argentina). E esse título não veio por acaso.
Com mais de 1,6 mil vídeos disponibilizados em seu canal no Youtube, a Loumar reúne quase 1 milhão de seguidores, divididos entre suas principais redes sociais (Youtube, TikTok e Instagram).

A Loumar utiliza ferramentas digitais, sim, mas sem abrir mão do olhar humano, da escuta ativa e da experiência de quem vive o turismo diariamente. A empresa atua com uma equipe de atendimento especializada em Foz do Iguaçu e produz vídeos, roteiros e recomendações baseadas na prática, no feedback real dos viajantes e na conexão com o destino.
Ao planejar um passeio com a Loumar, o turista não encontra apenas “lugares bonitos”, mas sim vivências contextualizadas, informações confiáveis e orientações práticas — tudo com linguagem acessível e apoio de quem realmente conhece cada detalhe da cidade.
Tecnologia como aliada, não substituta
A inteligência artificial tem muito a contribuir para o turismo — otimizando tempo, reunindo dados, automatizando etapas burocráticas. Mas ela jamais substituirá a presença humana que transforma uma viagem em experiência memorável. Guias de turismo, produtores de conteúdo, agentes e anfitriões carregam algo que nenhuma máquina pode replicar: a sensibilidade diante do outro.

Para você, leitor que costuma viajar e explorar sempre novos destinos, vale refletir: estamos realmente ganhando eficiência ao dispensar o uso de profissionais e especialistas locais, ou estamos nos colocando em risco e perdendo humanidade?
Com Informações: Asia News


