O trânsito em Ciudad del Este viveu cenas de verdadeiro colapso nesta sexta-feira (27), quando o interventor designado para a Prefeitura, Ramón Ramírez, foi obrigado a recorrer à Polícia Nacional e à Caminera (patrulha rodoviária do Paraguai) para tentar conter o caos nas ruas. A decisão foi tomada após a constatação de que metade dos agentes da Polícia Municipal de Trânsito simplesmente não estava trabalhando.
Segundo o próprio interventor, 50% do efetivo estava afastado por férias, atestados médicos, licenças ou renúncias — o que, na prática, deixou a cidade sem comando no tráfego justamente nos pontos mais críticos: as rotatórias do Reloj, Oásis, no km 3,5 da Ruta PY02, e a rotatória da Área 1, na Ruta PY07.
Briga na aduana expõe tensão nas ruas

O ápice do caos foi registrado na manhã desta sexta-feira, na região da aduana paraguaia. Com o fluxo travado e motoristas nervosos, uma briga de trânsito eclodiu entre dois condutores que disputavam espaço para avançar na fila. Gritos, xingamentos e até ameaças foram ouvidos, e a confusão chamou a atenção de pedestres e lojistas da área.
O clima tenso evidencia o desgaste da população, que tem enfrentado congestionamentos recordes nos últimos dias. “Está insuportável. Ninguém organiza mais nada. Cada um por si”, desabafou um comerciante da zona primária, que presenciou a cena.
Intervenção e boicote
A crise coincide com o início da intervenção administrativa determinada pelo governo paraguaio na gestão municipal de Ciudad del Este, que afastou o então prefeito Miguel Prieto. Desde então, o interventor Ramón Ramírez vem enfrentando resistência interna e sinais claros de boicote por parte de funcionários da administração.
“Se diretores ou servidores não colaborarem, tomarei as medidas necessárias para afastá-los. A intervenção nos autoriza a isso”, afirmou Ramírez, que também confirmou a necessidade de apoio externo para restabelecer a ordem na cidade.
Prefeito afastado reage
Do outro lado, Miguel Prieto, que teve o mandato interrompido por suspeitas de irregularidades, contesta a versão do interventor. Segundo ele, não houve autorização para férias coletivas e o colapso no trânsito seria, na verdade, uma consequência da instabilidade política criada pela própria intervenção.
“A cidade virou palco de uma disputa política, e quem paga o preço é a população, presa em engarrafamentos enquanto a prefeitura é esvaziada”, criticou Prieto em suas redes sociais.
População sofre
Enquanto a cúpula política troca acusações, motoristas trocam socos e ameaças e comerciantes relatam prejuízos e frustração com o colapso urbano. Vídeos nas redes sociais mostraram filas quilométricas em horário de pico e motociclistas tentando driblar o engarrafamento pelas calçadas.
A falta de agentes nas ruas também comprometeu a segurança viária, aumentando o risco de acidentes e confusões nos cruzamentos mais movimentados.
Apesar do apoio emergencial da Polícia Nacional e da Caminera, ainda não há prazo para a normalização do serviço de trânsito municipal.


