Você já conheceu alguém que com apenas 26 dias de treinamentos conquistou uma medalha Panamericana?
Bom, eu tive o prazer de conhecer na noite da última terça-feira, 29.
Assim que me aproximei de Cleiton José Boaventura de 32 anos, pude perceber o quão especial ele é.
| Foto: Lauane de Melo – Clickfoz |
| Cleiton disputa campeonatos contra adversários que enxergam e já conquistou várias medalhas |
E não falo isso porque ele é deficiente visual. Eu digo, porque aquele sorriso fez com que eu me esquecesse de todos os problemas aos quais um dia, eu tive coragem de me queixar.
Cleiton é lutador de Jiu-jitsu há apenas 7 meses, mas, já é um grande campeão, tanto nos tatames, quanto fora deles. Aos 13 anos, o rapaz sofreu um acidente de carro e aos 15, devido a um deslocamento de retina, acabou perdendo a visão.
| Foto: Lauane de Melo – Clickfoz |
| O lutador treina com todos os colegas normalmente |
Hoje, apesar do pouco tempo de prática de jiu-jitsu, no peito o atleta já carrega várias lembranças de suas conquistas dentro do esporte.
Com apenas quatro dias praticando a modalidade, por exemplo, o lutador ganhou o seu primeiro xodó: uma medalha de ouro em um campeonato interno da academia.
O mais incrível nesta história é que em quase todas as suas conquistas, o atleta enfrentou adversários que enxergam e mesmo assim venceu. “Considero o jiu-jitsu como uma profissão, ele mudou a minha vida”, disse Cleiton todo orgulhoso.
Durante os treinos, ele é um aluno como qualquer outro, não tem tratamento diferenciado. Dedicado, o atleta desenvolveu uma técnica para assimilar os ensinamentos. “O professor sempre me usa de “cobaia” para demonstrar o exercício aos colegas. Como estou fazendo o movimento, acabo memorizando-o. Mas, tenho um segredinho. A minha audição mais aguçada ajuda muito”, explica Cleiton.
| Foto: Lauane de Melo – Clickfoz |
| Aqui, o professor Pablo passa as instruções dos golpes para Cleiton memorizar |
O professor Pablo Anastácio, é o grande responsável pela nova vida do amigo. Os dois se conhecem a mais de 20 anos e Pablo acompanhou de perto todas as dificuldades enfrentadas pelo aluno prodígio. “Antigamente, ele vivia triste e sozinho. Cansei de vê-lo assim e por isso decidi convidá-lo para treinar. Hoje, ele é outra pessoa”, diz o professor.
Para se dedicar exclusivamente ao esporte, Cleiton conta com auxílio de alguns amigos e empresários que o ajudam a manter as despesas mensais. João Flávio Ritchie é um dos padrinhos. “Eu sempre me espelhei nele para treinar. A gente acaba percebendo que o problema dos outros são sempre maiores do que os nossos. Depois que eu o conheci, pensei que de alguma maneira poderia ajudá-lo. Aí conversei com outros amigos e hoje nós conseguimos proporcionar uma melhor qualidade de vida a ele”, diz João.
Na segunda quinzena deste mês, Cleiton já tem compromisso marcado. O lutador irá disputar o Brasileiro da modalidade em São Paulo e promete fazer bonito por lá. “Espero conquistar mais uma medalha para Foz do Iguaçu”, diz o rapaz. “Com ou sem vitória, ele é um exemplo com certeza”, finaliza o professor.

Lauane de Melo é repórter do Clickfoz e editora
de imagens da Rede Massa. Para interagir com a
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