A culpa do apagão está mesmo em Foz do Iguaçu?

 A falta de luz na noite de terça (10) e na madrugada de quarta-feira (11) atingiu boa parte do Brasil. Primeiramente os veículos de comunicação atribuíram à Hidrelétrica de Itaipu Binacional a origem do problema, porém a assessoria da empresa rebateu, “a hidrelétrica opera normalmente, mas em falso”, comentou em nota logo nas primeiras horas do apagão.

Já na manhã de quarta-feira (11), Furnas Centrais Elétricas, empresa responsável pelas linhas de transmissão, enviou nota aos órgãos de imprensa revelando que “Furnas funcionam normalmente e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) apura causas do blecaute. As linhas de transmissão que interligam a usina de Itaipu ao Sistema Interligado Nacional (SIN) estão operando normalmente e não foi identificado qualquer dano nos seus circuitos e torres de transmissão”. Porém não foi isso que Itaipu disse em nota, e confirmado pelo diretor-geral brasileiro, Jorge Samek. “Imediatamente após o blecaute, a usina de Itaipu estava com suas maquinas ligadas, girando no vazio, porém sem possibilidade de transmitir energia, pois as linhas de transmissão que conectam Itaipu ao sistema brasileiro estavam desligadas”. 

Foto: Assessoria
"Usina funcionava normalmente durante apagão, porém em falso"

 

Também pela manhã de quarta-feira (11) a Itaipu lançou outra nota comentando que a hidrelétrica voltou a operar em condições normais a partir das 6 horas e que 18 unidades geradoras estão funcionando. “Itaipu ainda não tem informações sobre o que teria provocado o blecaute. A empresa vai colaborar na investigação das suas causas”.

 

Vulnerável – O governo sem posicionamento ainda bate a cabeça. Não sabe dizer o que houve. O Ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, diz que foi um fenômeno atmosférico em Itaipu, mas o INPE mostra que não chovia sobre a região de Itaipu no momento, o que foi desmentido por esta reportagem. Na tarde de terça (10) motoristas e moradores da região da avenida Tancredo Neves, se surpreenderam com o vendaval que impossibilitou a passagem de veículos pelo local. 
 
Para os especialistas, o mais provável é uma falha no sistema interligado. Ele precisa estar ligado para suprir a falta em algum ponto do sistema, mas precisa também saber se proteger do efeito dominó sendo capaz de isolar o problema.
 
O físico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Pinguelli Rosa, disse em entrevista ao jornal Bom Dia Brasil que “o sistema de interligação é necessário em um país que usa muitas hidrelétricas, mas precisa ter uma gestão melhor. Segurança absoluta na engenharia não existe. Não se pode garantir 100% nada, mas tem de se minimizar esse risco e estamos notando que isso não vai bem”.
 
Pinguelli é também coordenador do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e não descarta as mudanças climáticas como fator importante no apagão. “Tudo indica que houve fenômeno atmosférico intenso, um temporal que rompeu a linha elétrica”, comenta.
 
Saiba mais:
Clicando no link: furnas.com.br você fica por dentro de como funciona o sistema de transmissão de furnas, e em itaipu.gov.br sobre a geração atualizada de Itaipu Binacional.
 
*Com informações do Bom Dia Brasil