Sociedades garantidoras de crédito avançam no Paraná

Consultores do Sebrae/PR e conselheiros da GarantiOeste, sociedade garantidora de crédito do oeste do Paraná, finalizaram o planejamento estratégico da entidade para os próximos cinco anos. O encontro, que começou na quarta-feira, dia 5, e terminou na sexta-feira (07) fez parte da nova etapa de maturação das sociedades garantidoras, constituídas em três regiões do Estado – oeste, noroeste e sudoeste.

Segundo o consultor do Sebrae/PR, Flávio Locatelli Junior, o primeiro semestre de 2010 será marcado pela capacitação e planejamento das Sociedades de Garantia de Crédito (SGC) já constituídas. “Em março, o Sebrae/PR capacitou os conselheiros que estão à frente das sociedades garantidoras do oeste, sudoeste e noroeste. Agora, essas SGC estão em fase de planejamento de ações, também com o apoio da entidade, para os próximos cinco anos”, afirma o consultor.
 
Entre as questões que envolvem o planejamento estratégico das SGC estão a definição da missão, visão e valores das sociedades garantidoras, e as metas, tanto para a constituição de fundos garantidores, quanto para previsão de número de operações e associados. “Essas ações são iniciativas pioneiras no País. São táticas de organização decorrentes do empenho dos parceiros locais e do Sebrae/PR, com o objetivo de solidificar as SGC antes de iniciarem o trabalho com os associados”, destaca Flavio Locatelli.
 
A Noroeste Garantias foi a primeira SGC a ser constituída no Paraná, em junho de 2008. Já em agosto de 2009, surgiu a Sociedade Garantidora de Crédito do Sudoeste, e três meses depois, em novembro, a GarantiOeste. As três sociedades têm como objetivo principal facilitar o acesso ao crédito aos empresários de micro e pequenas empresas de cada região.
 
“Percebemos a grande dificuldade que as empresas de pequeno porte têm, quando precisam acessar crédito em instituições financeiras. Além da burocracia que enfrentam, muitas das operações não são finalizadas por falta de garantia do empresário no retorno do empréstimo às financeiras. Assim, o Sebrae/PR apoia tecnicamente as SGC, desde a constituição, o planejamento e capacitações, até o aporte de recurso para o fundo”, explica o consultor do Sebrae/PR em Cascavel, Osvado Cesar Brotto.
 
No ano passado, o Sebrae/SP realizou uma pesquisa com instituições financeiras no País. A pesquisa revelou que, dentre os pedidos de crédito não aprovados, 16% foram negados devido à falta de garantias reais por parte do empresário; 15%, pela insuficiência de documentação e 9%, por conta de linhas de crédito fechadas, ou seja, o empresário não encontrou uma linha de crédito adequada às necessidades da empresa.
 
Entretanto, essa realidade não é sentida apenas no Brasil. Dados da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban), de 2005, também consideraram os fatores, falta de garantias e assimetria de informações das empresas, como restringentes do acesso ao crédito. “É exatamente essa lacuna que as SGC devem preencher. Com o fundo de garantia, constituído com a contribuição de entidades que apóiam o desenvolvimento das micro e pequenas empresas, as sociedades vão garantir o crédito solicitado pelos seus associados às financeiras. Além disso, os empresários terão a assessoria da SGC na hora de optar pela melhor linha de crédito”, assinala Osvado Brotto.
 
SGC já constituídas – Conforme Flávio Locatelli, do Sebrae/PR, as SGC do Paraná deverão operar com um fundo de R$ 4 milhões. Para cada uma delas, o Sebrae vai disponibilizar R$ 2 milhões e o restante será contrapartida local. A GarantiOeste, por exemplo, vai buscar apoio nas cooperativas de crédito e poder público da região.
 
“Já procuramos por alguns agentes financeiros regionais e iremos partir para o apoio do poder público local, a exemplo do que acontece na primeira SGC constituída no Brasil, a Garantiserra, no Rio Grande do Sul. Lá, o poder público garante um valor por habitante para o fundo garantidor da SGC”, revela o presidente da GarantiOeste, Augusto José Sperotto.
 
Além do aporte no fundo garantidor, a SGC constituída no oeste paranaense, conta com o apoio financeiro da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná (Caciopar) e das associações empresariais dos municípios de Toledo (ACIT), Cascavel (ACIC) e Foz do Iguaçu (ACIFI).
 
“Esses parceiros entram com recursos mensais para a manutenção da GarantiOeste e essa contribuição, conforme uma das metas do nosso planejamento estratégico, vai tornar a sociedade garantidora autossustentável com 31 meses de vida”, garante o presidente.
 
Depois de realizados os planejamentos estratégicos das três SGC, o Sebrae/PR prevê, ainda para o primeiro semestre de 2010, um treinamento operacional para as sociedades garantidoras. “Com isso, nossa intenção é começar as operações de crédito aos associados já no segundo semestre deste ano”, diz Flávio Locatelli.
 
O consultor aponta que as operações, segundo as metas estabelecidas nos planejamentos de cada SGC, acontecerão de forma gradativa. “Na SGC do Sudoeste a meta para cinco anos é de realizar 1.400 operações. Porém, iniciaremos com dez nos primeiros meses até chegarmos a cerca de 30 após o terceiro ano de funcionamento.” Quanto ao número de associados, as projeções variam de acordo com a proposta de cada região. Na Noroeste Garantias, a previsão é que sejam associados cerca de mil empresários ao longo dos cinco anos.
 
Novas SGC –O Sebrae/PR encerrou, em 31 de março, o edital para a solicitação de abertura de novas sociedades garantidoras no Estado. Do edital, estão em processo de análise a criação de mais duas SGC paranaenses, em Londrina e em Guarapuava. “Antes da abertura de novas SGC, é necessário fazer um diagnóstico com as micro e pequenas empresas da região solicitante”, argumenta Flávio Locatelli.
 
De acordo com o consultor, a pesquisa vai embasar a criação e foco de atuação da sociedade garantidora, revelando quais são os reais fatores que impedem o acesso ao crédito desses empresários. “Além disso, o diagnóstico mostra se há falta de acesso ao crédito e se o empresário tem interesse em associar-se a uma SGC.”
 
No oeste, por exemplo, a pesquisa foi realizada em 1.215 empresas de 47 municípios da região e revelou que mais de 70% dos empresários entrevistados apoiariam a constituição da, então, GarantiOeste. “Para que uma SGC seja constituída com bases sólidas de funcionamento, é necessário conhecer os anseios do empresariado local. Somente assim, as garantidoras poderão operar diretamente nas maiores dificuldades encontradas por esses empresários”, assinala o consultor.