Denúncias na saúde de Foz do Iguaçu serão protocoladas no Ministério Público

Após ter denunciado publicamente graves problemas da Saúde municipal, como o armazenamento de remédios na antiga Cobal, o presidente do Conselho Municipal de Saúde (COMUS), Ricardo Foster, juntamente com o vereador Zé Carlos (PMN), convocou uma Audiência Pública para debater a situação. Convidado, o deputado e presidente da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, Ney Leprevost, esteve presente a fim de conferir tais denuncias.

 
Leprevost foi levado na tarde de quarta (18) aos lugares alvos de insatisfação do COMUS, como o Centro de Especialidades Médicas (CEM), na Avenida Paraná, e a Cobal, na Vila A.
 
Já em Audiência, o deputado deixou claro que vai levar as investigações adiante, ou seja, ao Ministério Público. Segundo ele, o andamento da saúde pública de Foz é preocupante. A respeito dos medicamentos guardados de forma irregular, Leprevost pretende descobrir quem os comprou, distribuiu e recebeu, porque deveriam ter sido devolvidos. Conforme o vereador Nilton Bobato (PC do B), o remetente teria sido o próprio Governo Estadual que enviou os remédios faltando apenas 30 dias para o vencimento.
 
O presidente do COMUS, Ricardo Foster, reafirmou a preocupação com a situação da saúde da cidade. “Foz precisaria de 600 leitos no SUS, mas só tem 300. Nossa saúde não é de 1º mundo e não consegue atender a população. Precisamos de recurso e de gestão”. Na Sessão realizada ontem pela manhã, Foster mostrou, juntamente com a enfermeira Luciana Winter, outras denuncias, além dos medicamentos. Com fotos, exibiram a precariedade de estrutura do CEM, como mesas enferrujadas, fiações expostas, tetos e forros praticamente desabando e banheiros sem condição de uso. Outro ponto foi o Plano Municipal de Saúde, que “deve ser feito a cada três meses. No ano passado, recebemos só no 1º trimestre. Os outros, recebemos todos juntos no final do ano. Por que não houve fiscalização?”, questionou. Foster leu, em Sessão, uma Moção de Repúdio aos Poderes Executivo e Legislativo.
 
Luiz Fernando Zarpelon, secretário municipal de Saúde, justificou as dificuldades com o argumento de que “a cidade tem sido vítima de repasse do Governo Federal nos últimos anos, mas já conseguimos avanços. O CEM foi pior e antes não tínhamos SAMU ou CAPS. Entendemos a denuncia e achamos pertinente, mas na medida em que observarmos, muita coisa se fez nesses cinco anos”.
 
Como se tratava de uma Audiência Pública, a população teve a oportunidade de expor críticas e sugestões. O empresário Vilmar Andreola pediu ao Deputado presente que “convença nossos representantes estaduais a se envolverem com a saúde de nossa cidade”. Leprevost deixou a promessa, ao final, de que, juntamente com os três deputados de Foz, fará Emendas Coletivas para garantir recursos municipais.
 
Quem também usou da palavra foi o ex-secretário Anti-Drogas, José Elias Aiex Neto, afirmando que “saúde não pode ser tema de guerra política. Não podemos tratar essa discussão superficialmente”. Aiex também citou o descaso com as instalações do Ambulatório de Hanseníase, onde quatro funcionários teriam contraído a doença por falta de luvas e máscaras.
 
Por fim, o presidente da Casa, Carlos Juliano Budel (PSDB), reconheceu que “Foz precisa se entender com o Governo do Estado e fazer uma parceria, porque, sozinho, o Prefeito não consegue”.