Copel elege crescimento como objetivo e resolve disputar leilões de novas usinas

O objetivo estratégico da Copel de ampliar sua participação relativa no cenário energético nacional, nos segmentos de produção e de transmissão de energia elétrica, vai incluir uma postura mais ousada e arrojada da estatal nos próximos leilões de novas concessões a serem promovidos pela Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica.

Em reuniões mantidas esta semana com analistas de investimentos de São Paulo e Rio de Janeiro, o presidente da Companhia, Ronald Ravedutti, revelou que existe interesse em participar de novos empreendimentos “dentro ou fora do Paraná, desde que mostrem ser rentáveis”.

O presidente admitiu que a Copel estuda a possibilidade de disputar, sozinha ou em parcerias, a concessão de três novos aproveitamentos hidrelétricos que a Aneel pretende colocar em disputa ainda em 2010. São eles uma usina no rio Teles Pires, no Mato Grosso, com potência projetada de 1.820 MW (megawatts), um complexo de cinco usinas de médio porte no rio Parnaíba, na divisa de Piauí e Maranhão, com potência total de 560 MW e a Usina Garibaldi, no rio Canoas, em Santa Catarina, com 175 MW.

Para o leilão deste último empreendimento, a Copel já iniciou conversações com a estatal federal Eletrosul visando a composição de uma parceria. Em sociedade com ela, a Copel vem construindo a Usina Mauá, no rio Tibagi, entre os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira. Este empreendimento, orçado em pouco mais de R$ 1 bilhão, terá 361 megawatts de potência instalada e início de operação previsto para abril de 2011.

Recuperação – Ronald Ravedutti afirmou que “a principal meta da Copel, hoje, é expandir negócios e conquistar novos empreendimentos para consolidar sua condição de grande empresa de geração e transmissão de energia”. Ele destacou que a participação proporcional da empresa nesses dois segmentos foi reduzida nos últimos anos. “Não podemos permitir o declínio da nossa participação nesses mercados, que se dilui um pouco mais a cada nova obra executada sem a participação da Copel”.

Para materializar esse objetivo, Ravedutti defende que a Companhia seja mais ousada nas futuras disputas por novos empreendimentos, contudo sem deixar de lado a prudência. “Não será a qualquer custo que expandiremos nossos negócios”, observou o presidente. “Temos total ciência da responsabilidade com que devemos gerenciar os recursos disponíveis e não vamos embarcar em aventuras”. Segundo Ronald Ravedutti, qualquer novo passo a ser dado pela Copel será muito bem estudado.

Nessa estratégia de buscar ser mais ousada nos leilões, a Copel conta com dois trunfos importantes: disponibilidades de caixa superiores a R$ 1,6 bilhão e um baixíssimo endividamento, equivalente a menos de 20% do seu patrimônio líquido, condição que lhe confere uma enorme capacidade de alavancagem – ou seja, margem para captação de recursos no mercado por meio de financiamentos ou empréstimos. “A receita que estamos propondo é agir com vontade e coragem, mas também com responsabilidade e bom senso, na busca de novas oportunidades para investir”.