Estádio do ABC pode ter ligação com desvio de dinheiro público em Foz do Iguaçu

Em terceira reunião a fim de apurar informações sobre a Associação Plena Paz e esquema de corrupção envolvendo desvio de verba pública, a Comissão de Inquérito, formada por Hermógenes de Oliveira (PMDB), Edson Narizão (DEM), Paulo Rúbio (PDT), Edílio Dall’Agnol (PSB) e Zé Carlos (PMN), ouviu na manhã de quarta-feira (30) o Chefe da Divisão de Proteção Especial de Alta Complexidade da Secretaria Municipal de Assistência Social, Miguel Dal’Olmo de Campos. Enquadram-se na Divisão de Alta Complexidade instituições de abrigo de crianças e adolescentes, onde se encaixa a Associação Plena Paz, ou de idosos, como é o caso do Lar dos Velhinhos.

Já no início, Miguel se colocou à disposição dos vereadores, abrindo mão do depoimento livre e seguindo direto para as perguntas da Comissão.
 
Foto: CMFI
O servidor Miguel Dal’Olmo fala na plenária

Dal’Olmo disse não ter conhecimento de várias questões referentes à Plena Paz, como o dinheiro arrecadado no Bazar Beneficente no ano passado, que foi supostamente desviado para a reforma do estádio do ABC. “Não tenho o costume de visitar bazares das entidades”.

No depoimento da testemunha anterior, Fátima Dalmagro, servidora pública, houve uma denúncia de agressões físicas e assédios morais aos adolescentes da entidade por parte do presidente, Celso do Amaral; mas quando foi ao local para vistoria, Miguel declarou que não houve nenhuma reclamação sobre isso. Contudo, foi constatado que a água do local havia sido cortada. Sobre esta e outras irregularidades, Dal’Olmo disse ter cobrado do presidente para que cumprisse com suas obrigações.
 
Outro fato confirmado na quarta foi que Celso visitava com frequência a Secretária Municipal de Assistência Social, Rosilene Link.
 
Uma questão levantada por Fátima e respondida na manhã de quarta pelo funcionário público, foi referente ao valor muito superior de repasse à Plena Paz, com cerca de 20 adultos internos e seis adolescentes, em comparação com outra entidade que atende cerca de 70 crianças. “A Plena Paz pode receber mais adolescentes, sem contar que o custo das crianças é inferior”. Conforme o pronunciamento de Dalmagro, a Plena Paz recebia uma subvenção de R$25 mil para adolescentes e adultos e mais R$9 mil para mulheres. Já a outra entidade recebe R$9 mil.
 
Ao final, o Presidente da Comissão, vereador Mogênio, disse que Miguel foi evasivo nas respostas e não quis colaborar com as investigações, visto que não cedeu as cópias dos documentos. “Prefiro que solicitem ao Executivo”, respondeu.