Walter Sorrentino: Foz do Iguaçu é uma cidade piscante no mapa

A visão que o PCdoB nacional tem de Foz do Iguaçu é de uma cidade com grande potencial político. “Estamos vendo o trabalho que o Chico Brasileiro tem feito na secretaria de saúde, é um grande desfio, mas ele tem consciência de que este serviço é um direito do cidadão e um dever do Estado e trabalha para isso”, afirmou Sorrentino.

Quanto ao Governo Dilma as expectativas de Sorrentino são muito boas. Segundo ele, a principal qualidade deste Governo é a agenda bem definida, a partir desta organização é possível trabalhar com clareza. “A Dilma tem um objetivo muito claro: acabar com a miséria, além disso, ela vai priorizar os campos de saúde, educação e segurança, mas nós sabemos que para atingir este objetivo é necessário manter as altas taxas de desenvolvimento”, disse.

 

Foto: Luiz Henrique Dias
Walter Sorrentino também tem seu nome entre os combatentes da Ditadura Militar

Segundo Sorrentino, para o Brasil seguir no rumo em que está é necessário resolver dois “Nós (problemas): Político e Econômico”, o Nó político é conseguir manter na base do Governo todos os partidos que apoiaram a campanha, fazer um núcleo forte, consistente e com objetivos bem definidos. Já o Nó Econômico são as altas taxas de juros, a inflação e a queda do câmbio. Segundo ele, é necessário abaixar os juros para controlar a inflação e valorizar a moeda nacional. “Nenhum país capitalista até hoje conseguiu se desenvolver com altas taxas de juros e câmbio desvalorizado”. “É necessário entender que salário mínimo não é um gasto do Governo, mas sim um investimento no mercado interno, precisamos trabalhar neste aspecto também”. Sorrentino acredita que para resolver os dois Nós é preciso romper o círculo vicioso da política restritiva e avançar.

“O PCdoB luta pelo êxito do Governo Dilma, nós acreditamos neste projeto, mas afirmamos: não podemos só apoiar o governo, é necessário fazer pressão com as forças populares e os movimentos sociais, esta é uma forma muito eficaz de ajudar no desenvolvimento”, declarou Sorrentino. Para ele, Dilma é um orgulho porquelutou na ditadura militar, foi presa, torturada e hoje venceu, “nós sentimos este gostinho, a mulher que eles [a oposição] chamam de terrorista hoje é a presidente do Brasil”.

Em 72, ao ingressar no Curso de Medicina da USP filiou-se ao PCdoB, em plena ditadura de Médici. Foi presidente do Centro Acadêmico, líder da reconstrução do Diretório Central dos Estudantes e, em 1977 se formou Médico. Faz questão de relembrar a história dos camaradas que morreram em 1974 no final da Guerrilha do Araguaia e da Chacina da Lapa em 1976, quando o PCdoB foi praticamente dizimado pelo Militares. Em 84, Sorrentino teve a casa invadida por policiais Federais e, mesmo com três filhos pequenos, foi levado preso (por ser comunista). “Ninguém valoriza mais a liberdade que um comunista, nós lutamos muito, e sabemos que a democracia é uma coisa maravilhosa”.