Na manhã de sábado (19) o imóvel já estava sem telhado e sem vigas. Há menos de um mês o vereador Nilton Bobato afirmou “se não agirmos rápido, podemos perder a única chance de fazermos um museu para contar a história da cidade, na casa onde morou o primeiro prefeito, Jorge Schimmelpfeng, pois ela está prestes a ser destruída. O maior presente de 100 anos para a cidade é ter no mínimo sua estrutura histórica preservada”. Mas como o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Ambiental e Cultural não existe demolir a construção não foi considerado ilegal.
A redação do Clickfoz entrou em contato com o proprietário do imóvel, o advogado e ex-vice-prefeito do município (PMDB), Cláudio Rorato – cujo escritório fica no terreno ao lado – ao questionar o porquê da demolição a resposta foi “ora, demoli a casa porque é minha”. Rorato pretende construir um hotel, onde outrora funcionava a clínica. Ele afirma que a casa não era histórica, ao contrário, foi construída ha menos de 40 anos. “o primeiro prefeito de Foz morreu 60 anos antes desta casa ter sido construída”, afirma.

Requerimento – durante a sessão ordinária do dia 1º de Março de 2011 o vereador Nilton Bobato fez um requerimento exigindo a reativação do Comphac – Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Ambiental e Cultural – este foi aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal. O requerimento reitera o pedido solicitado no ano de 2010 ao Executivo para que a Lei sobre preservação do patrimônio natural e cultural do município seja cumprida. Em resposta ao tal documento, Rorato disse na entrevista “pode falar para este vereador, bobão, bobalhão [Bobato], não sei o nome dele, que ele deveria estudar a história do município antes de requerer uma coisa que não existe. Esta casa não é histórica, era de tijolo à vista, a casa do prefeito era de madeira, e ficava atrás de onde hoje é meu escritório”.
Rorato apresentou o alvará que permite a demolição do prédio, segundo ele já o teria adquirido “há muito tempo”, não especificou quando. E afirma que a casa demolida foi moradia da filha de Schimmelpfeng, Ottilla Schimmelpfeng. Segundo ele, a moradia do ex-prefeito já foi demolida há anos, afinal, o escritório dele está localizado exatamente onde ficava a casa construída em madeira.
No site da Prefeitura, consta que o valor venal do imóvel é de R$319.901,63. O requerente é a Administradora de Imóveis Uruçuí que mantém relação profissional com o ex-vice-prefeito.
No infográfico, conheça quem foi Jorge e Ottília Shimmelpfeng e como funciona o processo de tombamento histórico.
Jorge Schimelpfeng
Era curitibano de descendência alemã, chegou em Foz do Iguaçu em 1914 e assumiu a prefeitura da cidade em 10 de julho do mesmo ano. Governou o município de 1914 a 1924, quando deixou a prefeitura, aos 53 anos, já estava doente e em situação financeira ruim, voltou à Curitiba, onde fez tratamentos de saúde que ainda não existiam em Foz do Iguaçu, faleceu em 1929, está enterrado em Curitiba.
Ottília Schimmelpfeng
Filha do primeiro prefeito de Foz do Iguaçu foi uma importante figura para o município. A família Schimmelpfeng construiu o primeiro Hotel nas Cataratas do Iguaçu, em 1922, porém um incêndio destruiu o prédio que foi reconstruído mais tarde em alvenaria, não pertencia mais à família. Ottília foi professora, lecionou em várias escolas do municipais e sempre foi uma grande catalisadora de movimentos culturais. Por isso o nome do único teatro da cidade, o Teatro Barracão, é na verdade Teatro Municipal Ottília Schimmelpfeng, em homenagem a ela, que tanto lutou pelas artes. Ottília faleceu em 1992, mesmo ano de inauguração do teatro.
Patrimônio Histórico
O Tombamento é uma ação administrativa do Poder Executivo, que começa pelo pedido de abertura de processo, por iniciativa de qualquer cidadão ou instituição pública. Este processo, após avaliação técnica preliminar, é submetido à deliberação dos órgãos responsáveis pela preservação. Caso seja aprovada a intenção de proteger um bem cultural ou natural, é expedida uma Notificação ao seu proprietário. A partir desta Notificação o bem já se encontra protegido legalmente, contra destruições ou descaracterizações. Pode ser aplicado aos bens móveis e imóveis, de interesse cultural ou ambiental.
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