E a culpa é de quem?

Moramos em um lugar único. Especial.

Vivemos em uma cidade reconhecida mundialmente por suas belezas (naturais ou não), localizada num estado generoso de uma nação rica, bela, próspera e continental, em uma fronteira formadora de uma “grande cidade”, produto de três cidades, cada uma de um país diferente.

Foz do Iguaçu é um dos grandes destinos do Brasil e do mundo, tem um parque hoteleiro de dar inveja a muitas cidades, uma gastronomia profissional e requintada, um povo miscigenado e em paz. Defendo que nós, iguaçuenses – de nascimento ou adoção -, devemos, todos os dias ao acordarmos, agradecer (e muito) por vivermos onde vivemos e sermos como somos.

Mas tem uma turma que pensa ser dona da cidade.

Já falamos aqui do transporte público, do abandono da feira, dos terríveis muros, dos bares que vendem bebidas para menores na cara da polícia e do conselho tutelar. Já defendemos, assim, nossa população das garras terríveis dos capitalistas sugadores e inescrupulosos. Mas hoje preciso falar dos cidadãos abusados, coro das irregularidades, difusores do errado e dos péssimos costumes.
Por todos os lados, todos os dias, vemos absurdos. Fatos e situações absurdas, obscuras, assustadoras!

E a falta de cidadania – ou a mania de achar que a cidade é seu cocho – é vista por todos os lados: pessoas jogando papel no chão, furando fila, estragando o patrimônio público, dando “jeitinho” em tudo ou, até mesmo, enfiando seus carros sobre os canteiros e jardins públicos. A foto abaixo foi tirada na Avenida Iguaçu, perto de uma igreja.

A cena é comum. Semanal. Até tornou-se parte do cotidiano dos moradores.

Ela demonstra o tamanho da cara de pau das pessoas. As mesmas pessoas motorizadas que reclamam dos buracos nas ruas, feitas para seus carros, mas não respeitam os canteiros, feitos para tudo, menos para estacionamento.

A cidade só será uma cidade verdadeira, na concepção mais coesa da palavra, quando todos – todos! – aprendermos a viver em harmonia, a jogar o papel no lixo e, é claro, estacionar o carro no lugar certo. Quando entendermos que a cidade tem um dono, e este dono é o todo e não a parte.

Caso contrário, de que adianta reclamar do poder público ou do setor privado? Talvez seja melhor comprar um espelho.

 

 


 
 

 *Luiz Henrique Dias é dramaturgo, ator e professor. Segue ele lá: @LuizHDias (blogdoluiz.com.br)