E a nossa biblioteca pública?

 

Falar em leitura sem falar de biblioteca fica estranho, mesmo sabendo que atualmente o acesso à leitura está cada vez mais fácil, pois na Internet, por exemplo, há sites que oferecem meios de “baixar” uma grande variedade de obras literárias. Porém, há quem não troca o livro impresso por nada, seja para pesquisas, estudo ou momentos de lazer.

A biblioteca pública é um ambiente onde também se reflete a situação da história da sociedade local:
 

A biblioteca situa-se como uma agência social, criada para atender às necessidades da instituição à qual irá servir. Como tal, é também um instrumento moldado e condicionado pela estrutura social, de acordo com os padrões e valores culturais que regem as instituições dessa estrutura (GOMES,1983, p.5).
 

De acordo com o Manifesto da UNESCO de 1994 sobre as bibliotecas públicas, “é função das bibliotecas promover a democracia, a paz, o bem-estar e o repouso espiritual dos cidadãos, a tolerância, a pluralidade do pensamento, a educação para todos e o acesso a documentos de informação diversos”.

Diante dessas considerações, é importante direcionar a atenção à nossa Biblioteca Pública “Elfrida Engel Nunes Rios”, que foi fundada em 06 de setembro de 1963. Infelizmente o horário de atendimento é muito limitado. Somente de segunda a sexta-feira das 8h às 18h, ou seja, um horário em que poucas pessoas podem aproveitá-la. Nesse período, a maioria de nós trabalha, muitos outros estudam e, assim, no fim de semana ou à noite a biblioteca encontra-se fechada. É provável que razões administrativas e burocráticas sejam a causa dessa situação, mas quem perde com isso são todos os cidadãos de Foz do Iguaçu.

Além de maior tempo no atendimento, seria muito oportuno também que a nossa biblioteca pudesse nos oferecer mais atividades de interação e integração como, por exemplo, saraus, leituras dramáticas de peças teatrais, cine debate, contação de história (principalmente às crianças), enfim, mais oportunidades para a comunidade estabelecer maior e melhor contato com o acervo desta instituição pública.

Fica como última sugestão, a mudança estética do prédio, como, por exemplo, inserir mais cores na sua fachada e interiores, algum meio de identificação de que o prédio, além de ser sede da Fundação Cultural, é também sede da Biblioteca Pública “Elfrida Engel Nunes Rios”.

No ano de 2006, tive o privilégio de ouvir uma palestra com Ariano Suassuna onde entre muitas coisas, ele ressaltou a alegria que as cores das casas e dos prédios do Nordeste proporcionam aos olhos e à alma. 

Não somos o Nordeste, mas somos Foz do Iguaçu, uma cidade de lindas paisagens, múltiplas cores e expressões, portanto, toda essa vivacidade deveria estar representada em nossos prédios públicos, principalmente no edifício mencionado para rimar com as histórias, poesias e outras artes ali armazenadas, esperando por mais movimento, mais troca e mais participação.

 

 


 
 

 

 

 

*Claudia Ribeiro é  atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora.