Apatia, Letargo!

  

Já relatei aqui algumas situações que aconteceram em minhas aulas, pois não sei se você sabe, caro leitor, também sou educadora e ministro aulas de comunicação e expressão.

Semana passada, tratei de trabalhar com um grupo de adolescentes de dezesseis anos; idade em que já podem votar! O principal objetivo da minha aula é incentivar e contribuir, tanto na teoria como na prática, com a expressão e comunicação dos alunos. Trato de ajudá-los a superar bloqueios como timidez, inseguranças, medos e, assim, interagir com o que há ao seu redor, refletindo, discutindo, ou seja, manifestando-se e posicionando-se criticamente diante de um determinado assunto. Mas infelizmente, nesta ocasião, tive a nítida percepção de que alguns jovens entraram numa zona de letargia e apatia tão extremas que já estão chegando ao ponto de dizer, sem o menor constrangimento, que ‘não estão a fim de pensar e não sabem o que dizer’. Essa foi a resposta de uma aluna, após eu questioná-la sobre porque ela tinha copiado literalmente o texto da colega do lado sobre o assunto “Comportamento Humano”.

Eu tinha solicitado que escrevessem as opiniões, os pensamentos, as concepções e os sentimentos em relação ao tema, sem medo das regras ortográficas de nossa língua, já para não terem dificuldades, pois isso seria trabalhado posteriormente. A prioridade naquele momento era simplesmente o ato de se expressar, para consequentemente gerar um debate, uma discussão ou uma simples conversa.

Não obtive sucesso. Alguns escreveram displicentes, só um deles surpreendeu-me de maneira positiva por ter-se expressado poeticamente sobre o assunto, mas os demais escreveram três ou quatro linhas vazias de personalidade.

A impressão que tive é que eu havia escolhido um tema extremamente complexo, mas mesmo que assim tivesse sido, também tinha citado exemplos, levantado questionamentos para ver se provocava uma discussão.

Não houve jeito e, para coroar a situação, uma aluna acabou copiando o todo texto da colega do lado, alegando não querer pensar e não ter o que dizer, como já citei acima, ai!

Claro que, após sua revelação, argumentei, aconselhei e dei exemplos de como é fundamental e sadio, para cada um de nós e para o mundo ao nosso redor, o ato de pensar e o que fazemos com esses pensamentos.

Mas não houve troca. Continuaram a me olhar com expressões indiferentes, mascando chicletes e com os foninhos dos celulares pendurados no pescoço, só esperando o término da aula, para colocá-los em seus ouvidos e ouvirem sabe-se lá o quê, provavelmente coisas que estão contribuindo e muito para tamanha apatia.

Então terminei a aula bem chateada, mas ainda com esperança de conseguir melhores resultados na próxima aula. Vou rever metodologias, desenhar estratégias e quem sabe ela será diferente?

 

 


 
 

 

 

 

*Claudia Ribeiro é  atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora.