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Muitas pessoas, e entre elas eu, sentem a falta de espaços públicos para exposições de artes, em Foz do Iguaçu. Talvez alguns ainda nem haviam pensado nisso. Infelizmente não temos uma galeria de artes adequada, estruturada e acessível a toda a população. Um dos poucos, senão único espaço público disponível é o auditório da Fundação Cultural. Ali, frequentemente, as obras expostas dividem espaço com aulas, palestras, lançamentos de livros, entre outras atividades.
Outro dia, comentei essa minha observação com uma amiga, artista plástica. Ela afirmou que as obras disputam o pouco espaço, sendo, às vezes, até arrastadas de um lado a outro, para não atrapalhar. Apesar disso, ela o considera ainda positivo, pois assim o público que transita pelo local, acaba, indiretamente, observando as obras expostas. A exposição acaba atingindo um maior número de visitantes… Ora, isso é triste. Uma vez mais, vemos o artista contentando-se com o mínimo insuficiente, tendo que ceder e adequar-se a precárias estruturas, obrigado a aceitar absurdas imposições se quiser ter um mínimo de oportunidade de mostrar o seu trabalho.
Aqui e em outras cidades, a situação é a mesma: os artistas ouvirão sempre aquelas famosas frases: “Ah! Apresenta assim mesmo!”, “Dá um jeitinho, o importante é apresentar”, “Não! Isso não tem, vai ter que ser assim”! E por aí seguem. Assim banalizam o trabalho do artista que se obriga a aceitar as condições disponíveis, se quiser mostrar sua criação.
Esta tamanha falta de respeito não terá fim, se continuarmos aceitando calados o que nos é imposto (‘Imposto’, palavra chave, não é mesmo?). Não que seja melhor não mostrar o trabalho a aceitar o que temos, mas sim que é preciso reivindicar condições adequadas e dignas, tanto para o artista, quanto para seu público. Não há galerias estruturadas, não há teatros estruturados, faltam bibliotecas… Bem, nem vou seguir com a lista.
Concordo que melhor que reclamar é fazer arte, como fazem muitos guerreiros, mas até quando faremos de forma improvisada, sem alcançar a qualidade desejada por falta de recursos adequados? Até quando seremos privados de determinadas produções, por falta de estruturas? Até onde teremos que nos adaptar? É justo contentar-nos e fazer o ‘mais ou menos’, sabendo que poderíamos fazer o ‘mais’? Mas vamos seguir em frente, exigindo um pouco mais de nós mesmos e, principalmente, deles…

*Claudia Ribeiro é atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora.


