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Valorizo muito esse espaço. Aqui divido com você, caro leitor, pensamentos, reflexões, experiências e sentimentos, como a angústia, relacionados ao universo da arte e da cultura. Não desejo, pois, usar desse espaço só para lamentações. Tenho falado também das coisas prazerosas que, nesse aspecto, acontecem em Foz do Iguaçu e em outros lugares.
Mas hoje, divido uma angústia.
Está relacionada ao modo como o trabalho do artista é visto, por algumas pessoas, no aspecto financeiro. Pensam que o que artista faz não é trabalho e sim um hobby, um passatempo. Não têm a consciência de que, como todos, o artista, tem necessidades e, conseqüentemente, despesas. Ele paga com a mesma moeda que os outros. Inúmeras vezes solicitam a arte do artista, ou seja, o seu trabalho, de forma voluntária, como se ele tivesse a obrigação de doar o seu ofício e, se quiser se sustentar, que vá procurar outra forma de obter renda. Isso acontece, porque o artista deixa acontecer. A nossa é uma classe que raramente luta por seus direitos, aliás, poucos conhecem realmente os seus direitos.
Calam-se.
Como têm prazer em mostrar sua arte, acabam aceitando realizar a doação ou dá-la o preço de banana. Submetem-se a ter outras profissões e, por conta disso, acabam dedicando um tempo escasso ao próprio talento, à sua obra específica. Prejudica a sua profissionalização e compromete seu crescimento artístico. Muitos, inclusive, chegam a abandonar a arte por desânimo, a falta de tempo, entre outros motivos.
Fazer arte não é só inspiração, pelo contrário, 90% é transpiração. Isto envolve estudo, técnica, pesquisa, dedicação e superação. Aliás, esses são requisitos para qualquer outra profissão. Mas nunca vi alguém pedir a doação do trabalho de médico, gari, manicure, advogado, comerciante, empresário ou professor.
Quantos artistas haverá, só aqui em nossa cidade, que abandonaram sua arte ou a fazem de maneira insatisfatória, por não terem recebido o devido valor? Quantos tiveram que desistir, esconder seu talento ou, nem sequer, tiveram a chance de descobri-lo, por causa desse velho conceito tão arraigado de que em nosso país não se vive de arte? Claro que existe um número de artistas que conseguem viver de sua produção, mas só eles sabem a que preço.
Talvez a valorização que tanto almejamos deverá partir de cada um de nós e aí, consequentemente, teremos condições de exigi-la à sociedade, com toda a confiança e determinação. O respeito e o reconhecimento devem vir, não só através do aplauso.

*Claudia Ribeiro é atriz, contadora de história, produtora, dramaturga e professora.


