Guizos sai de casa

Depois de 5 meses de temporada no Teatro da Lupah! – nossa casa – chegou a hora de enfrentar novos espaços, novos teatros e, também, novos espectadores: faremos duas sessões no Iguassu Boulevard, na abertura oficial da Mostra Municipal de Teatro de Foz do Iguaçu.

Desde o anúncio da apresentação na Mostra, diversas pessoas que viram a peça na Lupah me procuraram com perguntas do tipo "mas vai ser lá no Boulevard mesmo?" ou "como vocês farão o Guizos em uma sala tradicional?". Tal preocupação – para quem não assistiu a peça entender – reside no fato de nosso trabalho ter sido concebido para 12 espectadores e para um espaço de 16 metros quadrados (contando a plateia em arena) e hoje nos apresentarmos em uma sala com 250 lugares, com um grande palco em formato italiano.

Outro detalhe é a iluminação.

Trabalhamos no Teatro da Lupah! com um ímpar de 500 Watts e quatro pequenos canhões de 60 Watts, todos operados diretamente da caixa disjuntora. Lá no Boulevard, contaremos com iluminação "de show" com treliças metálicas e barras de luz profissionais. E como vamos fazer? Simples: transformar o Boulervard em um Teatro de Bolso.

Para isso, o saudoso Beto Virgínio vai adaptar nossa iluminação ao espaço – com caixa disjuntora e tudo mais! – vamos permitir apenas 54 espectadores por sessão (o que já acho uma multidão) e o formato italiano vai desaparecer (é claro). Vamos levar os espectadores para o palco do Boulervard.

Todos os elementos (luz no chão, penumbra, barulho de disjuntores, poucos espectadores, plateia em arena, som operado por um aparelho celular, etc) fazem parte da concepção estética de nossa peça e esta – em hipótese alguma – pode ser alterada. A não ser que O Teatro do Excluído abra mão de sua forma, seu conceito teatral, para se adaptar ao modelão tradicional, tão batido e, visivelmente, tão vazio.

Release – Guizos, da Cia Experiencial O Teatro do Excluído, com texto e direção de Luiz Henrique Dias, conta momentos da história de Antônio (Gabriel Pasini), um médico, destacando sua relação conturbada com um menino de nove anos. Esse casamento – aprisionante – leva-o (e também leva o espectador) a se deparar com questões diluídas pelo contemporâneo, como o amor, a convivência e a religião. No ambiente de penumbra criado por Gabriela Keller e sob os ruídos produzidos por Natacha Pastore, Guizos se apresenta como uma voz a ocupar um espaço. E nada mais. (Duração: 40 min. Classificação: 16 anos)
 

Ficha Técnica
Texto e Direção: Luiz Henrique Dias
Atuação: Gabriel Pasini
Direção de Fotografia e Iluminação: Gabriela Keller
Trilha Sonora e Operação de Som: Natacha Pastore
Comunicação: Yuri Amaral
Produção: Cia Experiencial O Teatro do Excluído
Apoio Técnico: Beto Virgínio e Cia Amadeus de Teatro
Realização: Lupah! Teatro e Escola de Artes