Amigo leitor de todas as quartas, hoje, na última coluna de 2011, gostaria de me despedir.
Fomos bravos – eu nos textos e você nos comentários – durante todo o ano. Falamos, informamos, divulgamos, denunciamos e reclamamos. Reclamamos muito. Mas não reclamamos porque somos chatos, ou porque não temos “nada melhor para fazer”, ou porque “não gostamos da cidade”. Pelo contrário. Estamos aqui – em Foz – e amamos esse lugar. Por isso, tanto eu como você, nos posicionamos contra o errado e a favor de uma mudança de relações sociais. A favor da cidadania.
Me despeço com aperto no coração. Aperto por termos conquistado, ao longo dessas 40 semanas, o respeito de muitos e até a inimizade de alguns. Aperto por ter sido aqui que mostramos as placas nas esquinas, os carros estacionados em lugar proibido e as sombras usurpadas pelo corte criminoso e sem planejamento de árvores centrais. Por termos nos posicionado – a todo momento e sob pressão violenta – contra esse transporte público ineficiente, caro e desrespeitoso.
Me despeço, porém, com a certeza de ter cumprido o dever cidadão: agir contra o errado.
Me despeço, porém, com a certeza de ter ajudado o Click no cumprimento do dever de todo órgão de imprensa: informar com imparcialidade e responsabilidade.
Me despeço de vocês com a cabeça erguida e com os olhos no futuro.
Mas essa despedida não significa que irei embora deste portal ou deste espaço semanal.
Significa uma mudança. Significa a despedida desse nosso jeito narrativo de reclamar.
Iremos, a partir da próxima semana, eu e você, caro leitor, a campo. Entrevistar, ouvir, fotografar, filmar, sair do sossego da escrivaninha – do sofá – e ir para nosso campo de batalha, que é a cidade.
Vamos sair do centro, ir aos bairros, tentar entender a cidade e, principalmente, parar de reclamar. Vamos, em todos as colunas, apresentar uma solução possível e real para o problema apresentando. Solução debatida durante toda a semana, antes de editarmos o texto final. E depois, claro, cobrar das autoridades uma resposta, um resultado concreto.
Me despeço, portanto, do formato “ver” para iniciar o formato “entender”.
2012 será um grande ano. Um ano novo. Para mim, para você e para cidade.
2012 será o ano da cidadania. E quem não entender isso, caro leitor, estará em nossa mira.
Bom ano novo a todos!

* Luiz Henrique Dias é dramaturgo, estudante de Administração Pública e comunista (convicto). Ele não tem televisão, não tem carro, não sabe usar micro-ondas, não bebe, não fuma, não gosta de ir à balada (e quando vai fica fazendo cara feia), não gosta de praia, não usa chinelo e tem medo de andar de avião. Tem um povo que acha o Luiz legal, nós, particularmente, o classificamos de “chato”. Você pode ler outras chatices todas as quartas, aqui no Click, ou, diariamente, no www.luizhenriquedias.com.br. De dá pra seguir ele no Twitter: @LuizHDias
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