Quem ama cuida


Caro leitor, vinha eu caminhando pela Avenida Brasil, em direção à Almirante Barroso, quando me deparei com uma cena no mínimo estranha: dois turistas se divertiam, um com uma máquina fotográfica e outro fazendo pose para fotos, sentado em um banco esférico. Isso mesmo, um banco esférico! Precisei refletir um pouco sobre tal cena e olhar ao redor, com calma, para entender o que estava acontecendo e foi quando, como num passe de mágica (somado a um pouco de matemática básica), resolvi fazer uma contagem naquelas “bolinhas” ornamentais colocadas nas esquinas da Avenida Brasil e percebi que uma estava faltando.

Eu aprendi desde pequeno que, quando algo sofre uma avaria, devemos arrumar logo, pois, deixando acumular, muito em breve, o que era apenas quebrado torna-se inútil. Isso pode ser chamado de manutenção periódica. Mas, ao que me parece, essa regra não é muito conhecida por essas bandas.

Basta dar uma caminhada pela cidade para perceber que o mobiliário urbano quebrado ou depredado permanece assim por dias, semanas, meses! Placas destruídas por acidentes de trânsito (ou mesmo por vândalos) ficam jogadas nas esquinas, esperando que alguém as leve embora, ao invés de serem rapidamente recolocadas. Isto – a recolocação – é infinitamente mais barato que a confecção de uma nova placa.

Na foto abaixo, tirada na esquina da Marechal Floriano com a Rui Barbosa, vemos a sinalização de trânsito derrubada num canto. Segundo moradores consultados, a placa está no chão desde o dia em que aconteceu um acidente no local, em dezembro.
 

A uma quadra dali, na esquina da mesma Rui Barbosa com a Marechal Deodoro, uma placa, também vítima de algum carro desgovernado, permaneceu na calçada por dois meses, até que foi levada por um catador de papel. Na ocasião, eu avisei a Guarda Municipal, que nada fez.

Descaso também acontece com os parquímetros. Se você, caro leitor, já percebeu, eles tem uma proteção, uma tampa, provavelmente para evitar exposição nos períodos em que não estão sendo usados (à noite, por exemplo) e, assim, coibir a depredação. Nos primeiros dias após a instalação, eu via uma pessoa passar fechando os parquímetros, mas, ao meu ver, tal pessoa está de férias há mais de trinta dias. Na foto, tirada na Avenida Brasil, vemos um parquímetro aberto à noite. Todos os equipamentos ficam assim, jogados à própria sorte.
 

Há quem vai argumentar que é tudo uma questão de educação do povo, mas não devemos ser românticos e esperar uma conscientização em massa do dia para a noite. A depredação se evita com segurança patrimonial e com pequenas (mas efetivas) ações, como proteger os parquímetros. Ora, já que eles têm tampa, basta fechar, não é? Simples assim.

E no caso da “bolinha” da Avenida Brasil, voltei lá nesta terça e fotografei. Nós gastamos nosso dinheiro para a reforma da avenida – apesar de que julgo horrorosos aqueles “adereços” nas esquinas – e gostaríamos de que pelo menos houvesse um maior cuidado. Veja como ela virou um lindo banco no canteiro.
 

Amigo leitor, o dinheiro público é de todos. E a cidade também é de todos. E todos devemos cuidar dela. Acredito que uma cidade bem cuidada pressupõe, dentre outras coisas, a manutenção periódica do mobiliário urbano, amenizando, assim, a depreciação das peças e, consequentemente, gastos públicos maiores com a substituição. Dessa forma, nossa cidade ficará mais bonita, agradável e pronta para receber turistas e visitantes, além, claro, de melhorar a qualidade de vida da população.

 

 


 

* Luiz Henrique Dias é dramaturgo, estudante de Administração Pública e comunista (convicto). Ele escreve todas as quartas aqui no Click, reclamando de tudo e de todos. Dia desses, no entanto, o Luiz foi fotografado deixando seu cachorro fazer xixi em um parquímetro, o que mostra claramente a distância entre a teoria e a prática e como não existe cidadão “perfeito”. Mas, no fundo, ele – o Luiz – é um chato legal. Leia mais em luizhenriquedias.com.br e siga ele no Twitter: @LuizHDias

  

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